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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Mustache Update #22 - Leovegildo já!

Não é de hoje que Leovegildo da Gama Júnior representa para o Mais Querido a dignidade rubro-negra de chuteiras. Seu bigode vencedor fala por si. O amor da torcida por ele completa o restante do quadro. Seu bigode irá mostrar a esse atual elenco que não basta ter pele rubro-negra, é necessário sangue, suor, lágrimas - e um excelente bigode. Diante das atuais circunstâncias, com a saída de Joel para comandar um timinho ridículo que nunca foi capaz de conquistar o Mundo, seu nome é o mais indicado para reconduzir o Clube de Regatas Flamengo a um inevitável caminho de glórias.

Xerifão

segunda-feira, 7 de abril de 2008

#175 - Lupicínio

"Agora você vai ouvir aquilo que merece
As coisas ficam muito boas quando a gente esquece
Mas acontece que eu não esqueci a sua covardia, a sua ingratidão
A judiaria que você um dia fez pro coitadinho do meu coração

Estas palavras que eu estou lhe falando
Têm uma verdade pura, nua e crua
Eu estou lhe mostrando a porta da rua
Pra que você saia sem eu lhe bater"

Lupicínio Rodrigues, nascido em Porto Alegre, cunhou o termo "dor-de-cotovelo". Dizia respeito ao hábito de homens e mulheres boêmios se apoiarem com o cotovelo num balcão a fim de encher a cara para combater - mais uma - desilusão amorosa. Como a desilusão era grande e assim a grande também o tempo que se levava bebendo apoiado nos cotovelos, estes acabavam doloridos.

Lupicínio cultivou em sua vida o bigode, a música, a boemia e as mulheres, essas ingratas. Os versos ali em cima em itálico são de sua autoria, da famosa canção "Judiaria".



Sentiram o drama?

quarta-feira, 19 de março de 2008

#169 - Sebastião

Os mais atentos já tinha reparado neste senhor durante transmissões de jogos do (eca) framengo.

Eis que agora ele aparece como operário do PAC no Complexo do Alemão com uma nova categoria para as nossas tags: o semibigode.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

#163 - Cacildis forévis!

Antônio Carlos Bernardes Gomes foi músico, cantor dos Originais do Samba, mangueirense lendário, cachaceiro convicto e humorista da fina estirpe. Antônio Carlos, sobre todas as coisas, foi Mussum.

Mais que ídolo de bigode, Muça é exemplo pra toda uma geração do poder de um carisma. Convidado a integrar a trupe humorística dos Trapalhões no início dos anos 70, Mussum era o vertente negro do quadrilátero que também contava com um cearense matreiro, um gringo metido a espertalhão e um mineirinho enrustido.

Músico por formação, o Mumu da Mangueira era diretor da ala das baianas de sua escola de samba adorada e gravou um disco de samba em 78 (Água Benta). Sua fama se fez no programa dos Trapalhões onde protagonizou durante duas décadas tiradas muito divertidas. É dele o eterno "Cacildis!" e o imortal "Forévis".

Reza a lenda que seu apelido imortal lhe foi dado por Grande Otelo. Grande Otelo!

Abaixo, um pouco do talento do rapaz para as massas. Mussum eternis!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

#161 - Michael Jordan

Há muito o que se dizer de Michael Jordan. Mas basta dizer que o comercial abaixo é baseado em fatos reais.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

#158 - Há 79 anos...


A genuine leader is not a searcher for consensus but a mustache of consensus

Martin Luther King, Jr. (15/01/1929, Atlanta, Geórgia – 4/4/1968, Memphis, Tennessee)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

#157 - Cinderelos Baianos


O IdB não poderia deixar passar em branco os seminais bigodes responsáveis pela descoberta e apoteose dos enormes talentos de Carla Perez.

Beto Jamaica e Cumpádi Washington, ainda que a música deles tenha dado mais dor de cabeça do que a Cintra quente que se bebia nos diversos carnavais baianos Brasil afora (com menção-mais-do-que-honrosa para a boa e velha Ouro Preto-MG), conheço muita gente que tem sua cota de agradecimentos a acertar com essa dupla.

Abaixo, para matar saudades de dois dos maiores sucessos do É o Tchan!, uma letra daquelas que, na primeira audição, você já sabe que nunca mais sairá de sua cabeça; e, em seguida, uma apresentação cheia de genuíno axé-roots-brazil.

Pau que nasce torto
Nunca se endireita
Menina que requebra
A mãe pega na cabeça
Pau que nasce torto nunca se endireita
Menina que requebra
A mãe pega na cabeça

Domingo ela não vai
Vai, vai
Domingo ela não vai não
Vai, vai, vai

Segure o tchan
Amarre o tchan
Segure o tchan tchan tchan

Tudo que é perfeito agente pega pelo braço
Joga ela no meio
Mete em cima
Mete em baixo

Depois de nove meses
Você vê o resultado
Depos de nove meses
Você vê o resultado

Segure o tchan...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

#150 - Puro groove

Nosso post número 150 vai homenagear grandes talentos! A dança do robô, o duelo de break, o chaveiro de rabo de raposa, as miniblusas masculinas e o poder de um bigode dançarino.



Não tentem fazer isso em casa, crianças.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

#140 - A máquina de sexo


Brown, James Brown. Registro de sua apresentação no Brasil, no ginásio do Palmeiras, no ano da graça de 1978. Seu bigode vale por mil palavras.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

#124 - Roger Milla


A seleção de Camarões foi a grande surpresa da copa de 1990.

Surpresa?!! Não se poderia esperar menos de um escrete recheado de afro-negões de bigode - como pode ser conferido no lineup exibido nos primeiros segundos do vídeo abaixo - e ainda guardando nosso intrépido craque veterano para o segundo tempo, opção incompreensível do técnico comuna-imperialista-decadente, o soviético Nepomniachi.

http://www.youtube.com/watch?v=eVCq7UKAtYw

Durante a Copa, Camarões começou logo colocando pressão para cima da Argentina, com um 1 x 0 na primeira fase. Nas oitavas-de-final, num dos lances mais memoráveis da história das copas, el bigodón fanfarrón foi se meter a besta com o bigode-zulu de Milla e se deu mal.



Milla e seus Camarões chegaram às quartas-de-final contra a Inglaterra com toda a torcida brasileira a seu favor, depois de o ferrolho repleto de mullets montado por Lazaroni ter caído diante dos Hermanos. Se não tivesse sido pelo goleirão Peter Shilton, as jogadas armadas pelo bon-vivant Gascoine e muita sorte do lado britânico, a coisa TERIA FICADO PRETA na Copa da Itália!

Confira a segunda parte do vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=dCw2uoZVRKA

Perdão pelos 15 minutos de vídeo, mas é um jogo que merece, como poucos outros. Talvez, mereça quase tanto quanto o Botafogo 4 x 4 Juventus de 96, no qual o Fogão se sagrou campeão do Tereza Herrera. Aliás, me aguardem.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

#121 - O melhor goleiro de todos os tempos

Sobre Barbosa foram escritas algumas das mais belas linhas da crônica esportiva brasileira. A injustiça normalmente gera mártires, e Barbosa foi o grande mártir da Copa de 50. Em 82 novamente um time infinitamente superior a todos os outros perderia o título - sem sequer chegar à final -, mas o trauma seria muito menor. O ódio gerado pela derrota no Maracanã só só se compara ao ocorrido 57 anos depois, no Monumental. Mas o caso de 2007 foi muito mais engraçado.

Perseguido durante toda a vida pelo fantasma de uma derrota que não foi culpa sua, em 1993 Barbosa diria uma das frases mais fortes e tristes da história do país: "No Brasil, a pena maior por um crime é de 30 anos. Há 43 pago por um crime que não cometi".

Morreu pobre e amargurado, ídolo reconhecido apenas pelos verdadeiros amantes do bom futebol.

"Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Gighia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera."
Armando Nogueira


Este é o time do Vasco campeão carioca invicto em 1949. Uma infinidade de bigodes. Na primeira fila estão: o massagista Mário Américo, um integrante da comissão técnica, Sampaio, Augusto, Barbosa, Wílson, Laerte e dois membros da comissão técnica. Na segunda fila estão: Jorge, Alfredo II, Amílcar Giffoni (comissão técnica), o técnico Flávio Costa, Oto Glória (comissão técnica), Danilo e Eli. Na terceira fila: Nestor, Maneca, Ademir de Menezes, Lima, Ipojucan, Heleno de Freitas, Chico e Mário.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

#117 - Pedro Paulo Soares Pereira

"No último natal papai Noel escondeu um brinquedo
Prateado, brilhava no meio do mato
Um menininho de 10 anos achou o presente,
Era de ferro com 12 balas no pente
"
(Fim de Semana no Parque)

Pedro Paulo é apenas um ilustre torcedor dos Santos, morador do Capão e integrante dos Racionais MCs. Pedro Paulo é apenas Mano Brown.

Como Pedro Paulo, ele só quer viver em paz na sua quebrada, na alvorada de seu bigode, em hamonia com os mano (pou) e as mina (pá).

Como Mano Brown, ícone do rap brasileiro, voz da periferia paulista, sujeito-homem do conceito na ZL, o bigode de Brown não dá mole pra pleiboizada e manda o verbo na lata, sem dar mole pra sobrenomes e cifras, sem jabá ou caô.

"Dois ladrões considerados passaram a discutir.
Mas não imaginavam o que estaria por vir.
Traficantes, homicidas, estelionatários.
Uma maioria de moleque primário.
Era a brecha que o sistema queria.
Avise o IML, chegou o grande dia.
Depende do sim ou não de um só homem.
Que prefere ser neutro pelo telefone.
Ratatatá, caviar e champanhe.
Fleury foi almoçar, que se foda a minha mãe!
Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo...
quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio!
"
(Diário de um Detento)

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

116 - Num domingo qualquer

Um bigode é sempre a base moral de qualquer grande homem. Mas mesmo os mais frondosos bigodes precisam de uma espécie de sabedoria que vem apenas com o tempo. O que dizer então do estiloso buço usado por Jamie Foxx no filme "Um Domingo Qualquer", de Oliver Stone.

Foxx - digno representante de uma tradição de atores negões bigodudos que tem em Eddie Murphy seu maior expoente - interpreta no filme o jogador de futebol americano Willie Beamen. Terceiro reserva em seu time, o Miami Sharks, ele um dia é escalado quando dois jogadores se lesionam em seguida. Daí pra frente o garoto se afoga num turbilhão de fama, dinheiro, mulheres e drogas. Coisa demais para seu modesto bigodinho.

Aliás, quando se vê a quantidade de pílulas, injeções, pózinhos mágicos e quetais que os atletas de futebol americano tomam a gente conclui: o Dodô tá no esporte errado.

De qualquer forma, depois de tomar muita porrada da vida e dos adversários, Beamen compreende que "On any given Sunday you're gonna win or you're gonna lose. The point is - can you win or lose like a man?". Um recado que cairia bem para 99% dos camisas 10 dos times brasileiros.

Uma pena, uma pena que Tony D'amato não use bigode.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

#106 - Muthafucka Ice Cream, two real in my hand

Sem dúvida o maior ídolo do underground carioca nos anos 90, my friend. Quem esteve na Rua Ceará, Lapa ou na Bunker, certamente já viu aquela figuraça vendendo seus sorvetes sabor chocoleite, cream, strawberry ou snow flakes. Além de oferecer o melhor ice-cream do Rio, que nas palavras do próprio "taste like pussy", o Motherfucker ainda dava conselhos para a juventude.

Bons amigos não esquecem a noite que ele discursou: "Jovens, não usem drogas. Quem usa drogas não toma sorvete!"

O cara é tão fantástico que, além de comunidade no Orkut, ganhou dois tributos no Garage, com o crème de la crème do underground carioca.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

#103 - Morgan Freeman

Quando resolveram fazer um filme onde Deus era a personagem a ser interpretada, produtores não tiveram a menor sombra de dúvidas - o papel era de Morgan Freeman.

E não havia realmente como não entregar o papel a ele, que possui toda autoridade que necessita em seu olhar meio morto, seu riso sacana, sua voz de tenor e um insofismável bigode.

O ator nascido em Memphis, Tennessee, começou a ganhar a vida como mecânico da aeronáutica, antes de despontar em papéis no teatro. Seu primeiro papel de grande projeção mundial mostrava o bigode de Morgan conduzindo Miss Daisy rumo a vários prêmios.

Daí por diante, foi difícil impedir que o homem se tornasse um dos mais carismáticos atores em ação no cinema norte-americano. Freeman fez inúmeros papéis memoráveis, desde um auxiliar muçulmano do predecessor do emocore Robin Hood de Kevin Costner a chapa de Brad Pitt em meio a crimes bizarros baseados nos sete pecados capitais, com direito a ser o presidente dos EUA num mundo às vésperas de ser atingido de leve por um meteoro gigante.

Morgan também emprestou a dignidade de seu bigode para que Clint Eastwood pudesse brilhar com seu filme campeão "Menina de Ouro" - melhor seria o filme ser batizado de "Bigode de Ouro", haja visto a quantidade de cenas que o seu ex-boxeador Scrap rouba no filme.

Mais recentemente, o grande Freeman emprestou seu talento para tornar ainda melhor o maroto thriller "Lucky Number Slevin", onde vive o papel de The Boss. Ele ainda tem parte no brilhante "Batman Begins", onde tem o papel de Lucious Fox, pilar moral e cívico das Empresas Wayne. Abaixo, trecho do filme (Cavaleiro das Trevas vem aí!) onde Lucious apresenta ao patrão Bruce a grande personagem da história, o simpático Tumbler.


Morgan obviamente não é apenas um homem preocupado com a imagem de seu bigode nas telas. Diante do entrevistador do renomado 60 minutes, Morgan não hesitou em mandar na lata que "I am going to stop calling you a white man and I'm going to ask you to stop calling me a black man". Ele é defensor do fim do racismo e prega que o melhor meio de combatê-lo é não falar sobre o tema.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

#91 - Axel Foley

Durante os anos 80, a atividade policial era muito benquista pela indústria cinematográfica, que forjava entre duras e tiroteios o seu star system. Eddie Murphy era apenas outro negão quando chegou aos cinemas o exemplar "Um Tira da Pesada" (Beverly Hills Cop), cuja história girava em torno de Axel Foley, policial de Detroit que se mandava para LA investigar a morte de um amigo seu.

Nos anos 80, essas coisas de jurisdição não atrapalhavam os verdadeiros tiras e Foley foi lá pra Rodeo Drive apavorar os granfas com sua indefectível jaqueta dos Lions de Detroit. Auxiliado por uma dupla de tiras brancos, porém bem intencionados, da terra do Brendo, da Brenda e da Donna, Foley desmascara uma poderosa quadrilha de traficantes - assassinos de policiais - comedores de criancinhas - produtores de boybands, trucida a todos e vinga assim a memória de seu amigo morto covardemente.

"Um Tira da Pesada" concorreu ao Oscar de melhor roteiro original e faturou o Grammy de melhor trilha sonora, o que foi uma barbada, já que a canção do filme se tornou um clássico instantâneo nos duvidosos anos 80.


De quebra, o filme lançou o jovem Eddie Murphy ao estrelato, o que lhe valeu mais dois filmes da série apoiados em sua comicidade e seu sagaz bigode! Murphy aparece no segundo filme da série já a bordo de uma vermelha Ferrari 308 GTS - sim, aquela mesma do Magnun. Coincidência?


Confira abaixo um trecho do filme que fez Eddie Murphy trilhar o caminho que o levou aos ovários de Mel B, a Spice Girl gostosa.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

#80 - EDIÇÃO ESPECIAL: Si, se puede!

Diante de certas imagens, o mundo pára.

A foto abaixo, da Vippcom assessoria, foi publicada nesta quinta-feira em diversos sites esportivos, e até mesmo em alguns humorísticos sem o devido crédito.

Esse fabuloso jogador de futebol não precisa provar mais nada a ninguém. Com ele no time, a torcida do Vasco voltou a sonhar, a ter esperanças de conquistar títulos relevantes e ver o time no seu lugar de direito: o alto das tabelas.

Perdigão é atleta de estilo refinado, futebol cadenciado. Atualmente é o cerébro da equipe; pelos pés dele passam todas as jogadas do Vasco. E, devagar e sempre, Cleilton Eduardo Vicente vai municiando os atacantes vascaínos, que só não vem sendo mais eficientes pela falta de pelagem overbeiçal.

Fica aqui nossa homenagem a esse atleta, e sobretudo grande figura humana que fez a torcida do Vasco voltar a estufar o peito e gritar: "Si, se puede!"

Obs.: Cliquem na figura e vejam Perdigão em toda a sua glória, em gigantesca imagem de alta definição.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

#62 - A-wop-bop-a-loo-mop-alop-bam-boom

O mundo vinha rolando burocraticamente há alguns bilhões de anos até que uns sujeitos meio caipiras resolveram plugar uma guitarra num alto-falante amplificado. Pronto, era o roquenrou sendo criado. Pode-se dizer que Bill Haley (and his comets) foi um dos "primeiros pioneiros" mas foi prontamente seguido - e ofuscado - por dois topetudos fundamentais, que realmente colocaram as massas para rebolar ao som dos metais rasgados, dos solos de guitarra frenéticos, da bateria acelerada com seus pratos espocantes e - não podemos esquecer - do irresistível pianinho nervoso. Como era no princípio, agora e sempre.

Um deles era ninguém menos do que o inventor da Pelvis - e não podemos menosprezar alguém que seja capaz de redefinir a Anatomia Humana, sozinho, ainda mais nos anos 50, com o fordismo a pleno vapor. Porém, não seria o suficiente para ofuscar O Primeiro Grande Bigode Da História do Rock. Richard Wayne Penniman (Macon, Georgia, 1932) simplesmente abalou a situação mundial com seu grito de guerra - senhoras e senhores, a senha secreta para fazer requebrar o mais rígido quadril:



Carregou a cruz de ser um ídolo de bigode e um corpo fechado. Demais para um ser humano. Pirou. "Todo bigode é trágico", teria dito Nietzsche. Sobreviveu ileso a uma queda de avião, no auge da carreira. Largou tudo para entrar na igreja. Voltou ao showbizz nos anos 60. Seu irmão morreu. Igreja de novo. Quando tudo parecia perdido há décadas, ele volta e nos brinda com um musicão na trilha de "Um Tira da Pesada".



Citado como a maior influência desde James Brown a Bob Dylan, passando por Ray, Jagger, Bowie e Paul, simplesmente, NADA teria acontecido sem ele.

Little Richard's Fact: depois do álcool, Little Richard é a maior causa de ocorrência de sexo entre seres humanos.


terça-feira, 10 de julho de 2007

#60 Phil Lynott

Em 1971, quando tinha 20 anos, Phil Lynott fundou o arrojado Thin Lizzy. Era tão arrojado, mas tão arrojado que Phil precisou lançar um bigode extremamente maroto para romper as barreiras que a vida e a crítica musical criaram, respectivamente, para seu desenvolvimento pessoal e para o hard rock empolgante e de gosto duvidoso que a banda irlandesa produzia.

"Irlandesa???", você pergunta. "Sim", eu respondo. "Mas ele é negão", você diz. E aí eu revelo, meus amigos, que não é por acaso que Lynott tem essa pinta marota de pagodeiro tropical. ELE É BRASIL NA SEMANA DO ROCK DE IDB!!!

Me explico: corre por aí lenda segundo a qual o baixista, vocalista e compositor número um do Thin Lizzy era filho do afro-brasileiro Cecil Parris (!) com uma gringa. Poucos meses depois do nascimento do pequeno Phil, o papai do nosso bigodudo de hoje, como manda o manual, abandonou a irlandesinha que andava esmerilhando e voltou para o Brasil.



Filho de mãe solteira, preto e irlandês, o dublinense Lynott viu no bigode e na música um caminho para transcender e derrubar obstáculos. Com muito Hendrix, Dylan e Van "The Man" Morrison na cachola, fundou sua bandinha e chegou a emplacar alguns hits bastante maneiros como a footloosiana "The boys are back in town", do sacolejante álbum "Jailbreak", de 1973, e a versão definitiva e fodesca de "Whiskey in the jar", genial canção popular irlandesa, lançada no tão competente quanto cafona "Vagabonds of the western world", de 1973.

Tudo isso, porém, foi demais para Lynott. Até mesmo seu belo bigode não deu conta de segurar a onda dos traumas de infânica e dos excessos que a fama traz. Em 1986, abandonado pela mulher e líder de uma banda em franca decadência, Phil empacotou devido a uma overdose de heroína. Ele tinha 36 anos.

Em reconhecimento a seu talento e à solidez de seu bigode, Dublin homenageou Lynott com uma estátua ao mesmo tempo maneira e de gosto duvidoso, exatamente como a banda que o velho Phil comandava.






Curtam agora "Whiskey in the jar" com Lynott em sua melhor forma:







E, agora, sintam o drama de "Bad reputation":

sexta-feira, 29 de junho de 2007

#50 - Tim Maia Passional


"Quando o inverno chegar...
eu quero estar junto a ti"
Tim era intenso ao ponto de colocar uma foto de Johnny Depp na capa de seu disco de estréia, "Tim Maia", de 1970, como pode ser conferido acima.

Apesar do grande alvoroço em cima da "redescoberta" dos dois volumes de Tim Maia Racional, gravados em 76 e 77, sabe-se muito bem que, das duas, a personalidade mais marcante de Tim era, sem sombra de dúvidas, a Passional. Tim Maia era A Paixão em estado de ebulição. Seus dois anos sem fumar, beber e cheirar, pregando o Universo em Desencanto e tentando vender seus próprios discos no sinal da Lagoa com Lagoa-Barra foram algo de totalmente efêmero.

Não se pode negar que a Fase Racional seja válida, pois produziu discos de soul/funk dos mais swingantes e da melhor qualidade técnica, além de nos brindar com a comicidade não-intencional das letras de pregação de uma seita ufóloga bizarra - que era tudo menos racional. No entanto, ainda assim, trata-se de rios fugazes de concentração e abnegação num oceano de emoção incontinda. Logo após sua desilusão, Tim tiraria Racional de circulação e renegaria a seita, declarando: "perdi muito tempo e dinheiro com esta merda."

O grande inventor do Soul Brasileiro - o mesmo que dizer "inventor do Amor Brasileiro" - foi um talento precoce. Cantor, compositor e arranjador, ainda na adolescência tocava bateria e ensinava violão para Roberto e Erasmo, que compunham com ele a banda Os Sputniks. Aos 17, se mandou para os Istaite, onde teria se tornado a maior revelação da Motown se não tivesse sido preso e deportado por uso de bagulho. Ao voltar, reza a lenda, teria presenteado todos os funcionários de uma grande gravadora brasileira, do presidente ao ascensorista, com um LSD, prometendo que iam gostar.



Mais tarde, depois do desencanto com a Universo, do final dos anos 70 em diante, resolveria colocar todo mundo para dançar, no melhor climão possível. Com Descobridor de Sete Mares, ensinou Lulu Santos com quantas formas de amor se faz uma festa. No decorrer do tempo, totalmente entregue aos vícios, parou de comparecer aos próprios shows, apesar de ainda trabalhar bastante no estúdio e lançar muitos discos nos anos 90. Em 1998, morreu no Theatro Municipal de Niterói, enquanto gravava um especial.