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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

#153 - Across the universe

Bono é um chato politicamente correto que viaja o mundo defendendo causas perdidas para aumentar sua popularidade, certo?

Errado! Uma audição até superficial das músicas do U2 mostram que muitas delas são bastante provocativas. O sujeito já compôs com Bob Dylan e tocou com B.B. King e torce pra única seleção que mantém a beleza rústica do futebol, numa era em que se perde tempo com o balé enfadonho de gente como Kaká.

Pois mesmo com uma carreira estabelecida, Bono sabia que algo ainda faltava. E ganhou de presente o melhor papel do excelente Across the Universe.

Certos filmes podiam durar pra sempre. Música pra isso tem.

PS.: Notável também a participação de Joe Cocker.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

#151 - Ned

O melhor amigo do reverendo Lovejoy (aquele mesmo do canal 9) e pai dos escoteiros-cristãos Rod e Toddy, Ned Flanders é o dono do bigode mais comportado de Springfield.

Dono de uma coleção invejável dos Beatles, Flanders é o filho que toda mamãe quer ter: simpático, paga suas contas em dia e recolhe o lixo pontualmente, para desespero do seu vizinho, o invejoso Homer Simpson.

Além disso, jamais foi visto na Taberna do Moe tomando Duff Beer, não anda com más companhias, como Barney Glumbe, e não curte a violência de Itchy & Scratchy, o Comichão e Cossadinha.

Há quem diga que seu bigode é uma homenagem aos seus pais, beatniks.

Seja como for, o que faz a diferença entre Ned Flanders e Homer Simpson é o bigode.

Texto escrito pelo leitor Helder Galvão

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

#109 - Pastor Silas Malafaia


O Missionário RR Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, ocupa, pregando, mais de 100 horas semanais da programação da televisão brasileira. Ainda assim, aposto, se você não é um aficcionado em tele-evangelistas, não se lembrará das feições plácidas desse homem de Deus.

Era exatamente nisso que o pastor e bacharel em psicologia Silas Malafaia, da rival Assembléia de Deus, estava pensando quando começou a deixar seu divino bigodão crescer. Na disputa audiovisual pelas almas dos espectadores travada por dezenas de caciques protestantes, Malafaia larga na frente porque tem pelo na cara.

Há mais de 25 anos, ele apresenta, impávido e performático, um programa que já se chamou IMPACTO (em maiúsculas mesmo), Renascer e hoje tem o nome de Vitória em Cristo. O show mexe com os brios do crente, a quem Malafaia seduz com sua sólida teologia da prosperidade e as passagens mais sinistras do Velho Testamento.

Com um bigode desses, qualquer fiel de bem abre a carteira. E, se não abrir, tem mais é que dormir abraçadinho com o Maligno mesmo.
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Testemunhe uma performance clássica do enfurecido Silas:

quinta-feira, 12 de julho de 2007

#62 - A-wop-bop-a-loo-mop-alop-bam-boom

O mundo vinha rolando burocraticamente há alguns bilhões de anos até que uns sujeitos meio caipiras resolveram plugar uma guitarra num alto-falante amplificado. Pronto, era o roquenrou sendo criado. Pode-se dizer que Bill Haley (and his comets) foi um dos "primeiros pioneiros" mas foi prontamente seguido - e ofuscado - por dois topetudos fundamentais, que realmente colocaram as massas para rebolar ao som dos metais rasgados, dos solos de guitarra frenéticos, da bateria acelerada com seus pratos espocantes e - não podemos esquecer - do irresistível pianinho nervoso. Como era no princípio, agora e sempre.

Um deles era ninguém menos do que o inventor da Pelvis - e não podemos menosprezar alguém que seja capaz de redefinir a Anatomia Humana, sozinho, ainda mais nos anos 50, com o fordismo a pleno vapor. Porém, não seria o suficiente para ofuscar O Primeiro Grande Bigode Da História do Rock. Richard Wayne Penniman (Macon, Georgia, 1932) simplesmente abalou a situação mundial com seu grito de guerra - senhoras e senhores, a senha secreta para fazer requebrar o mais rígido quadril:



Carregou a cruz de ser um ídolo de bigode e um corpo fechado. Demais para um ser humano. Pirou. "Todo bigode é trágico", teria dito Nietzsche. Sobreviveu ileso a uma queda de avião, no auge da carreira. Largou tudo para entrar na igreja. Voltou ao showbizz nos anos 60. Seu irmão morreu. Igreja de novo. Quando tudo parecia perdido há décadas, ele volta e nos brinda com um musicão na trilha de "Um Tira da Pesada".



Citado como a maior influência desde James Brown a Bob Dylan, passando por Ray, Jagger, Bowie e Paul, simplesmente, NADA teria acontecido sem ele.

Little Richard's Fact: depois do álcool, Little Richard é a maior causa de ocorrência de sexo entre seres humanos.