Um dos maiores galãs de novela e da música brasileira dos anos 70 não poderia se furtar à ostentação de um glorioso bigode. Terror das menininhas de família, empregadas domésticas e frangas de teatro, Francisco Cuoco era O garoto-propaganda que toda companhia de cigarros gostaria de estampar em seus anúncios. O Charlton Heston brasileiro. Poucos sabem, mas ele é pai de Renato Gaúcho.
Quando meu pai começou a trabalhar no cartório, em 1978, era confundido com Francisco Cuoco. Meu pai parou de fumar nessa época e hoje é confundido com o vôvô-garoto Nuno Leal Maia. Nesse tempo:
Francisco sempre foi o nosso Casanova. Desde a parceria com o Imperador D. Pedro I, aos 25 anos, na mítica expedição do "caminho do ouro", que culminou na população de Minas Gerais, até hoje, quando mesmo aos 297 anos de idade, sua beleza fóssil ainda proporciona suspiros nas senhoras de família.
Desde os tempos mais primórdios... Francisco Cuoco tá aí.
Ary Barroso, apesar de figura pra lá de folclórica, não torcia pro Botafogo.
Flamenguista fanático (não vou usar o consagrado "doente" para evitar o pleonasmo), ficou famoso como um dos fundadores da famigerada "Flaprensa", com suas narrações absolutamente parciais, chegando a abandonar o microfone seis minutos antes de terminar a final do carioca de 44, quando seu time se sagrou tricampeão.
Importante notar, no entanto, que a gaitinha que Ary tocava para assinalar os gols durante suas transmissões foi inaugurada no Clássico Imperial: Vasco 7 x 0 São Cristóvão.
Demonstrando a independência em relação à imprensa que marca sua atuação até hoje, a diretoria do Vasco chegou a proibir a entrada de Ary em São Januário, após ser criticada pelo músico. Para transmitir a partida do cruzmaltino contra o Fluminense, Ary subiu num telhado nas vizinhanças e fez a locução usando binóculos.
Como vereador, fez na década de 40 propostas muito à frente do seu tempo, como a coleta seletiva de lixo e a criação de um órgão de defesa civil.
Agora, surpreendente mesmo foi a ocasião da morte deste grande ídolo. O autor de "Aquarela do Brasil" morreu num domingo de carnaval, 9 de fevereiro de 1964, quando na Avenida Presidente Vargas a população carioca aguardava a entrada do Império Serrano, que desfilou com o enredo "Aquarela Brasileira" em sua homenagem.
Esse mito riograndense dedicou sua vida a lapidar um instrumento que pudesse protestar contra a miséria, a impunidade, a indiferença desse país. Não se conformaria com a estética pronta de um hippie e, em lugar da barba desgrenhada, lançou um bigodão no meio do rosto. Sua música é de protesto! E o protesto, é pela PAZ!
(Sugestão: abra o myspace de Tony em outra janela e deixe rolando "Droga Fatal")
Depois de anos vivendo um vida humilde, dividindo seu tempo entre a música e o conserto de eletrodomésticos (Tony é engenheiro eletrônico), o mundo começa a descobri-lo, a partir de sua lendária apresentação num acampamento comuna em Porto Alegre, em 2002. A lembrança de Tony se apresentando debaixo da chuva será para sempre guardada no coração dos 5 fãs cariocas que puderam presenciar o momento.
Recentemente, Tony embarcou numa parceria internacional com o também construtor de instrumentos exóticos e atonais, Gruff Rhys, do Super Furry Animals. Confira uma apresentação da banda deles em Liverpool, tocando a gatôrrica House Full of Mirrors, nesse ano:
De lá para cá, vem experimentando o doce sabor do sucesso. Famoso, Tony agora produz gatorras em série e as vende, o que deve garantir um rendimento maior do que consertar tevês, mas vai saber. Já está na número 10 e, segundo informa seu blog, por apenas R$2,000,00, ela pode ser sua.
Gatorra número 10, à venda pelo http://www.tonydagatorra.blogspot.com/
Essa é quente. Neste domingo o homem, a lenda, o maior adicto do mundo esteve na premiere do Piratas do Caribe 3, envergando um bigode de causar inveja ao maior malandro dos malandros da Lapa. Claro que o 'Ídolos de Bigode' estava lá para registrar um de seus maiores ídolos.