Geraldo Rivera é O Cara da televisão norte-americana. Isso não seria nada, se ele não fosse mexicano (oficialmente, ele é natural de Nova Iorque, mas este blog não caiu no papinho da Wikipedia). Ele é praticamente o pai da programação da tarde de sua televisão - coisas envolvendo um auditório extremamente emotivo, filhos sem pais, mães sem filhos, exames de DNA, maridos fujões, relações extra-conjugais bizarras e deformações penianas. João Kléber é um garotinho pudico perto de Gegê.
Tá achando pouco? Se liga: depois que Elvis Presley morreu em 1977, a mídia relatou equivocadamente que O Rei tinha morrido de ataque cardíaco. Rivera investigou então as prescrições médicas de Presley para obter medicamentos e concluiu tratar-se de um overdose! Sua investigação fez as autoridades médicas do Tennessee revogarem a licença do Dr. George C. Nichopoulos para exercer a medicina por intoxicar The Pelvis!
Vai dizer que não é ídolo?
"Só não toquem no bigode, amigos!" foi a orientação aos cirurgiões.
O Gogol Bordello é uma banda de punk rock cigano. Praqueles que conhecem a boa música que se faz no Brasil, basta dizer que eles são uma espécie de Brasov ou Móveis Coloniais de Acaju com selo de origem comprovada.
A maioria dos membros da banda é de imigrantes da Europa Oriental, onde as pessoas sobrevivem há 50 mil anos de vodka e picles.
O vocalista Eugene Hütz, ucraniano, está passando uma temporada no Rio, se aclimatando para o show que eles vão fazer no TIM Festival desse ano. Quem quiser um gostinho da coisa, só aparecer hoje no Cine Lapa, lá pras 23h, que o cara vai tocar.
Vale a lida também na Megazine desta terça, que traz matéria sobre a vida carioca do cigano ucraniano, que já foi refugiado de Chernobyl!
Quem quiser ouvir o som da banda, só visitar o MySpace deles. Tem lá algumas músicas do mais recente - e excelente - disco deles, de 2007.
Defender o aborto, a maconha, o casamento gay. Esculachar o Severino Cavalcanti e toda a canalha que toma conta do Congresso Nacional. Ir pra praia de Ipanema de tanguinha de crochê em plena década de 70. Tudo isso dá pra fazer de cara limpa.
Agora, seqüestrar embaixador americano e fazer a Maya, amigo. Só cum bigodão na cara!
Quando se fala em cinema mexicano, a primeira pessoa em quem se pensa é naquele pirralho imberbe do Gael García Bernal. Quando muito, lembra-se do nome bizarro do diretor igualmente bizarro (e igualmente imberbe) Alejandro Gonzáles Iñárritu. Em situações extremas, chega-se até o finalmente bigodudo Cantinflas (que merece post próprio). O que nós, brasileiros isolados do resto da Latinoamérica, não sabíamos era que o maior ídolo da história do cinema mexicano foi e segue sendo, É LÓGICO, o ídolo de bigode Pedro Infante.
Nascido no significativo ano de 1917, no qual deu-se à luz, entre outros, a Revolução que fez famoso o amiguinho que ilustra o título deste blog maroto, além da Constituição mexicana, a primeira carta magna a contemplar os direitos sociais e o bigode como instituições constituicionais, José Pedro Infante Cruz atuou, entre 1939 e 1957, ano que, de significativo, só teve a morte dele mesmo, em nada menos que 59 filmes, e gravou nada mais que 366 canções.
Compulsivo e vitaminado, teve cerca de 20 filhos, não somente com as três esposas oficiais, mas também com a camareira, com a costureira, com a cozinheira, com a gerente do banco, com a mulher barbada e com a tia que vendia burritos na porta do estúdio. Foi, sem sombra de dúvidas, o Ultimate Garanhas da terra dos churros.
Mais do que sagaz, Pedro Infante era um cara arrojado. Se ligava numa adrenalina, e foi tal vício que o fez ir prematuramente desta para a melhor. Acontece que ele curtia pilotar aviões, mas era extremamente ruim de asa. Resultado: derrubou o avião que pilotava. DUAS VEZES. Na primeira, se estropiou todo, mas conseguiu se recuperar, tendo como singela seqüela uma placa de metal que substituiu seu osso frontal do crânio (vulgo testa). O que valeu ao latin lover um toque de Frankenstein.
Da segunda vez que ele derrubou o avião, se deu mal. Seu corpo carbonizado só foi reconhecido pela placa na testa. Após o anúncio da morte do ídolo de bigode, dezenas de mulheres desesperadas suicidaram, só para mostrar que el hombre era fueda.
Em guisa de conclusão, e para arrefecer o ânimo dos incautos que ainda ousam duvidar do poder do bigode, segue o trecho de um filme de Pedro Infante. Reparem bem, hereges, QUEM faz uma mera ponta no filme do caboclo, aprendendo a arte do bigode com o mestre absoluto da sedução pilosa-facial:
A cereja do bolo da nossa "Semana Especial Rebeldes Mexicanos (de Bigode)". Simplesmente o personagem mais anti-sistêmico de toda a história do México, Sr. Madruga é o rebelde-modelo da luta contra a Opressão e o 1º grande Punk. Somente um santo como esse homem conseguiria tocar a vida sem, como a maioria de nós, se render ao caminho fácil do trabalho e do aluguel pago em dia. Mas não o Sr. Madruga, esse não se vendeu: nenhum trabalho que durasse mais do que um dia e 14 meses de aluguel rigorosamente atrasados. Apesar de o ator que o interpretava, Ramón Valdez, ter morrido de câncer de pulmão em 1988, suas grandes frases viverão para sempre em nossas mentes, servindo como inesgotável alimento para nossos corações:
"Não há nada mais trabalhoso...do que viver sem trabalhar."
"Não existe trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar."
"No mercado de trabalho, prefiro ceder espaço aos mais jovens. E venho exercendo esta honrosa tarefa desde os meus quinze anos."
"Como ousa me acordar às 11 da madrugada! E agora, o que eu vou fazer até a hora da sesta?"
Esqueça a imagem de Salma Hayek siempre muy guapa y caliente ao pensar no nome de Frida Kahlo. A renomada pintora rebelde mexicana detinha um poderoso bigode (chamar de buço é ofensa) - aliás, detinha dois, o segundo acima dos olhos - e nenhuma daquelas curvas revolucionárias de Salmita.
Vitimada por uma poliomelite quando apenas criança e mais tarde envolvida em um acidente automobilístico digno dos hermanos Rodríguez, Frida começou a pintar enquanto se recuperava das lesões do acidente. Ao ganhar fama com quadros que exaltavam seu mustache, se filiou ao Partido Comunista Mexicano, o partido comunista mais comunista do mundo ocidental.
Mesmo manca, a rebelde pintora conquista o coração obeso de Diego Rivera, o Romário das telas mexicanas, e ainda faz o russo-tequileno-tomador-de-vódka León Trótski perder sua cabeça pelo impossível charme peludo de seu rosto. O velho Trótski e a alquebrada Kahlo tramam a Revolução com poemas e quadros de amor em pleno México entre 1937 e 1939, quando, a mando do Camarada Stálin, sempre boladão, o companheiro de Frida foi trucidado.
Fontes duvidosas garantem aos editores deste blog que a atriz brasileira Malu Mader guardaria traços do DNA rebelde e mexicano de Frida em seus pêlos.
Leon Trotsky, aka Lev Davidovitch Bronstein, não foi um revolucionário mexicano, mas, certamente, revolucionou o México e é um ídolo de bigode que fez a cabeça de gerações e mais gerações.
O homem que desvendou a relação entra a vodka e o êxito dos primeiros anos da URSS em "Questões do modo de vida" foi também o responsável por colocar essa grande nação latino-americana na rota dos Role Playing Games, quando nela se exilou. Lá, um mercenário a serviço do desafeto de Trotsky e também ídolo de bigode Joseph Stalin, aplicou um legítimo "throwing axe" no pensador soviético, matando-o sem qualquer respeito por seu sofisticado ainda que másculo moustache.
Um desfecho trágico para a vida do herói que, depois de amargar anos deterrado na gélida Sibéria, partiu para o México para, voluntariamente, pegar a Frida Khalo.
Continuando nossa série sobre rebeldes mexicanos - vale notar que não é mais necessário o complemento "de bigode" -, apresentamos hoje o grande ídolo de bigode do intelectual pós-moderno mascarado Subcomandante Marcos.
Zapata é a peça-chave para explicar de forma simples a Revolução Mexicana. Ele era do tipo "avisei uma, avisei duas, na terceira... já sabe". Apesar de mestiço de uma família abastada, por simpatia aos pueblos e sua orientação anarquista, tentava, inicialmente, restituir juridicamente as terras dos indígenas; num segundo momento, buscou seus objetivos através da articulação política; mas, por fim, decidiu mandar os alemão tudo pra vala, sob o lema casi-PJL "Tierra y Libertad".
Seu Exército Libertador do Sul e os comandados no Norte pelo caudilho çangue Pancho "Brizola" Villa foram cooptados pelo X-9 Venustiano Carranza, líder rebelde de ocasião na região central, a se unirem todos para depor o então presidente, no ano de 1914, Victoriano Huerta, um laranja do indigesto Porfírio Díaz, que fora ditador até 1911, deixando o poder numa falsa deposição pelo vacilão Madero, que posava de oposição liberal, num esquemão simpatia-comédia-vacilação que visava aplacar a resistência armada e manter o status quo no México.
O plano não deu certo e levou à deposição de Madero por Huerta, que estava enrabichado com Díaz, e, por sua vez, foi realmente deposto pela resistência popular unificada, a qual, durante o tempo todo, não se confundira com o troca-troca ne gerência e continou metendo bala em tudo que era amigo dos amigo. Então, Carranza, o X-9, botou a cara, botou o corpo todo e usurpou o posto de presidente, chegando a colocar os robocop do general Obregón para perseguir Zapata, que acabou morrendo nas mãos de outro general otário, o Guajardo, depois de cair no canto de Ossanha desse trapaceiro, que estava só de olho no prêmio oferecido pela cabeça do Zapata mas só recebeu metade da grana. Todos os personagens dessa história usam bigode. Entendeu?
Continuando a série dos rebeldes mexicanos, temos aqui o mais atual deles, o Subcomandante Marcos.
Líder do Ejército Zapatista de Liberación Nacional, o popular EZLN, Marcos pega em armas com os revoltados Chiapas contra tudo e todos: os Estados Unidos, os conservadores mexicanos, os fãs de Audioslave, os detratores de Chaves & Chapolin e aqueles que dizem que Jorge Campos era um maricón.
Ninguém sabe ao certo a verdadeira identidade do líder chiapa, que luta em território mexicano mascarado para que nenhum mal possam lhe fazer a seu abastado bigode. "Podem matar meu povo, roubar minha comida, salgar meu chão... só não tentem mexer em meu bigode", declarou Marcos certa feita a Tiago Carvalho, nosso intrépido e bigodudo repórter especial.
Hoje nós começamos uma semana em homenagem aos grandes revolucionários mexicanos. Como todos sabem, na Rússia, em Cuba e quejandos eram todos posers. Revolução mesmo, só se cogitou no México.
No início do longínquo século XX o jovem José Doroteo Arango, aos 16 anos, foi acusado de matar um rico fazendeiro e, para fugir das perseguições da justiça, se alistou no exército mexicano. Por combater a ditadura do vacilão Porfírio Diaz foi exilado e posteriormente condenado aa morte.
Uniu-se, porém, a um grupo que reunia os bigodes mais importantes da Nação e iniciou uma Guerra Civil que remodelou o sistema político mexicano. Foi morto numa emboscada por um covarde imberbe que jamais o encararia de frente.