Mostrando postagens com marcador do leitor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador do leitor. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

#156 - Mééééérciaaaa!!!

Um bigode sedutor, bruto, másculo, daqueles que prendem a espuma da cerveja só pra soltar na hora em que se esbraveja, acentuando as emoções nos momentos de raiva ou de gargalhada. Um bigode que roça na nuca das mulheres acompanhado de um susurro meio afobado na respiração mas confiante nas palavras, sempre perguntando pequenas coisas cujas respostas são sempre "SIM". Somente alguém com o potencial de um Humberto Martins pode usar tal palavreado que na boca de qualquer desbigodado soaria ridículo.

"Eu não consigo esquecer suas carnes firmes, teu cheiro de menina levada quando vai dormir depois de brincar de médico... isso me deixa louco... E eu sei que eu também te deixo louca, né né...?? Uhn, uhn??"

Acontece que com Humberto Martins, por incrível que pareça, isso funciona não só na ficção como na vida real, quando pegava a gostosona da Solange Frazão. Ele é o clássico exemplo de ator que sempre interpreta ele mesmo e por isso quando falamos dele profissionalmente a coisa pode ser aplicada à sua vida privada.

Nascido em 14 de abril de 1961 em New Iguaçu, ficou famoso por interpretar o médico Bruno na novela Quatro por Quatro. A sinopse eu copio e colo de um site de novelas em espanhol que fica mais a ver com o jeito Latin Lover dele

"Ángela sueña con conocer a su verdadero padre, Bruno, el médico que no logró salvar a su amada Mércia en el momento del parto. Traumatizado por la pérdida, entregó a la bebé a su primo Gustavo para que la criara y decidió alejarse de todos y radicarse en la Amazonia. Pero el pasado retorna en la figura de Suzana, la hermana gemela de Mércia, que enloquece a Bruno con un juego de seducción. Y él decide retornar a Río de Janeiro y recuperar a su hija Ángela, que ha crecido en el seno de una familia singular"

O cara ainda interpretou o Cigano Iago, o Cowboy Alaor, o aventureiro Baldock (um bradock brasileiro) e um ditador latino chamado Carlos Camacho, além de outros tipos.

Entretanto, nosso Antônio Bandeirola, deve se cuidar... Se exagerar no seu próprio tipo e desenvolver estilinho careca oleosa, barriguinha de chope de quem um dia foi sarado, camisa de botao meio aberta com manchas de suor no suvaco, o cara vai virar o clássico Titio... daqueles que ficam babando nas amigas dos sobrinhos ou dos proprios filhos. Fica lá só esperando a oportunidade pra encostar a visita de 15 aninhos na parede e fazer perguntas ja alisando o bracinho da presa.

"Então vocé é amiga do Junior, né? Nunca tinha te visto aqui... Ta calor hoje né? quer um suquinho, quer? Eu pego pra você. O Júnior tá terminando o banho mas você pode esperar ele no meu quarto, se quiser. Lá é mais confortável"

No momento ele está acertando a versão brasileira do filme Beleza Americana, cujo nome não é surpresa alguma será Beleza Brasileira, sendo Humbertão no papel interpretado por Kevin Spacey na versão original. Sonia Braga será a esposa em crise, Edson Celulari o corretor de imóveis e para o papel da teenager virgem sedutora alguma atriz escolhida num concurso do Faustão.
Texto do leitor e ídolo Hagen.

sábado, 1 de dezembro de 2007

#145 - Earl Hickey, bigodón Californian estaile

Nosso herói Earl Hickey (Jason Lee), da série My Name Is Earl, que passa no FX, é o típico vagabundo gerado nas famílias WASP (white-anglo-saxan-protestant), dos EUA. Exemplar do white trash americano, ele tem um irmão disfuncional, é brigado com o pai e, nenhum cdf, claro, muito menos com disposição para se tornar jornalista, colecionador de gibis ou de discos, virou um ladrãozinho barato de lojinhas de conveniência, postos de gasolina e quetais.

Parêntese - Jason Lee, o ator, era um campeão juvenil de skate que pendeu para o cinemão hollywoodiano. Ele aparece em quase todos os filmes do diretor e quadrinista Kevin Smith. Fecha parêntese.

Apesar de todo o rigor usado na descrição acima, Earl é um cara muito bacana e de bom coração, o típico ladrão de galinhas, metido a esperto. Nos morros do Rio, não passaria de mais um otário ou um papa-bíblia. Mas, o cara curte Rock´n´Roll e nasceu na Califórnia!!! Fã de AC/DC e outras coisas boas da vida, como carros velhos, ostenta seu bigodón em busca de amor sob o sol e a poeira num buraco qualquer perto da fronteira com o México. Prova de sua gana de pegador é que Earl é pai, pelo menos no papel, de dois filhos com a gostosa da Joy (Jaime Pressly).

Um belo dia todo otário se dá bem, já diria alguma frase de algum filme perdido da fase gloriosa do nosso cinema nacional, nos anos 70, e Earl ganha 100 mil doletas na raspadinha. Na comemoração, ele é atropelado e perde o bilhete. Quando ainda estava hospitalizado, o bilhete reaparece e Earl é influenciado pela entrevista de um ex-jogador de futebol (americano!!!) na TV, contando sobre como descobriu o karma (aquele lance que diz todo o mal e todo o bem que você faz volta para você).

Mesmo rico, Earl não abandona o bigode e inicia sua saga, com as mesmas camisas de flanela vagabundas do Wal-Mart... Faz uma lista com todas as coisas más que fez ao longo de seus trinta e poucos anos e tenta remediar cada situação, fazendo as pessoas chiques como nós que temos TV a cabo, dar risadas boas semanalmente há três temporadas.

Mas foi no episódio 20 “Boogeyman” (“Bicho Papão”), que Earl ganhou seu lugar no panteão do Ídolos de Bigode. Um garoto que Earl tenta fazer perder o medo do escuro pergunta: “Earl, como é ter um bigode?”. Nosso herói olha sério para o garoto e dispara: “Vou lhe dar um conselho: quando seu corpo estiver pronto, deixe crescer um”. Nunca um homem poderia dar melhor conselho a um garoto.

Escrito pelo leitor Zoyd, o alter-ego do jornalista MO, que tem o blog de memórias sentimento-musicais http://resenhassemjornal.blogspot.com/ e que, pela graça de Deus, é um paulista flamenguista até morrer.

O charme do bigode maroto de Earl.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

#108 - I'm down here for your souls!


Último grande poeta do pop, o australiano Nick Cave já tinha um bando de rock consagrado, os Bad Seeds, mas precisava de um motivo para usar um bigode. Era o passo restante rumo à consagração.

Não deu bobeira. Recrutou neste ano três companheiros dos Bad Seeds (o violinista/guitarrista Warren Ellis, o baixista Martin P. Casey e o baterista Jim Sclavunos) e se propôs a fazer um som cru, ruidoso, violento.

Sudorese pura, os Grinderman surgem dessa volta ao que se propunha a primeira banda de Cave, o Birthday Party. Orgânico demais para ser chamado de industrial, o grupo causou furor na crítica do Atlântico Norte e se aproveitou da parada dos Bad Seeds para fazer alguns shows pelo Reino Unido e Austrália.

Nick Cave explica que o novo quarteto surgiu da necessidade que tinha de compor músicas que não tinham a ver com a sonoridade refinada que os Bad Seeds alcançaram sob a palheta do arranjador e guitarrista Mick Harvey. Piano, cordas e coros presentes nos últimos discos teriam que sair de cena para músicas com títulos pungentes como... "No Pussy Blues" (Blues dos Sem-Buça).



Na paisagem do Grinderman, Warren Ellis e Jim Sclavunos acharam obrigatório deixar as barbas crescerem ao nível dos melhores patriarcas judeus. A mr. Cave, coube cultivar um bigode elíptico, farto, digno de xerife do Novo México (ou do próprio México).

Sem esse bigode, os Grinderman até poderiam continuar sujos e barulhentos. Mas será que meteriam o medo que impuseram aos mela-cuecas do Travis, flagrados no minuto 2'15 desta apresentação de "No Pussy Blues" no programa de Jools Holland? Duvido.

Texto escrito pelo leitor Márvio dos Anjos

#107 - Filho, não. Ele é O Dono do Mundo


– Café para dois, senhor?
Não, só para um.

– Ué, e a Márcia?, questiona o recém-novamente-velho-aliado Júlio (Daniel Dantas), sem entender a negativa do amigo-quando-convém que visitava pela manhã o camareiro do cinco estrelas

Malu - mulher de considerável juventude em 1991 - escorrega nas próprias lágrimas e, aos poucos, seu rosto cai da parede do banheiro até o chão. Mais humilhada que a Argentina em Copa América, antes mesmo que chegasse ao final o epitáfio do mestre.

– Ñhnaáá... Quando essa puta sair do banho, eu despacho ela e (segue-se algo como um foda-se).

Nem o caráter para-lá-de-duvidoso de Júlio imaginava tamanha escrotice de quem até pouco antes parecia se regenerar. Fato que inspirou até o colunista Agamenon Mendes Pedreira a filosofar sobre o ex-presidente e hoje companhêro senador das Alagoas que não acreditava na ‘felipebarretização’ de seu governo.

Ao contrário de Fernando Collor, porém, Felipe Barreto fingiu direitinho – bem mehor que o choro de dona Rosane – e ficou no lugar que era dele de direito. Não por vontade do povo nem de ninguém senão dele mesmo. Barretão era o comando e quem comandava era o Barretão, na modesta opinião deste que vos escreve a melhor criação de Gilberto Braga em todos os tempos, pondo até Odete Roitmann, com seu excesso de frescuras, para trás.

Felipe Barreto era tão escroto que até hoje a Globo não reprisou O Dono do Mundo. É uma pena. O ômi era um canalha com estilo, que curtia muito se divertir, principalmente se fosse às custas dos outros. É que um país de tolos gosta de ser enganado. Daí sua regeneração no meio da novela, tão verdadeira quanto um aleijado largando a muleta e andando em um culto da Igreja Quadrangular do Triângulo Redondo.

Seu bigode inspirou os takes de O Grande Ditador na abertura da novela, mas Felipe não tinha nenhuma semelhança com Hitler. Jamais fuderia com judeus, eslavos e nem com ciganos. Já com judias e ciganas... quem sabe uma tenista russa... Especialmente se fossem comprometidas.

Na foto ao lado, Felipe Barreto comemora aniversário, disfarçado de Antonio Fagundes

Sob uma análise psicoginecológica, o cirurgião plástico amalgamava cafasjestes anteriores (o cafetão Bibelô, de Os Sete Gatinhos) e posteriores (o bom vivant Atílio, de Por Amor) de Antonio Fagundes em um perfeito Pitanguy Tirador de Cabaços. Casado por interesse com a ricaça, que ainda dava um caldo legal, Stella (Glória Pires), ele não era bobo de se contentar com isso. Quanto mais, melhor, especialmente se ele fosse o primeiro.

Movido pelo instinto de repórter de revista de fofocas, ele descobre que a noiva (Malu Mader) de um empregado era cabaço e os convida para passar a lua-de-mel em seu chalé nos Alpes. Inventa um trabalho pro bundão fazer e, enquanto isso, inaugura a vadia. E isso era só o começo do canalha que causou protestos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – a Revolta dos Bisturis, inconformados em ser identificados com tamanho energúmeno.

Ao invés de dizer que tinha hímem complacente, Márcia – este era o nome dela –, não teve malandragem e confessou a traição ao corno, que acabou se matando. Depois, foi procurar o doutor para que assumisse o mal que fizera e prosseguir o “lance muito forte” que havia rolado entre eles, segundo as próprias palavras dela à mãe. Saiu de lá com a proposta de um cheque (“quanto você quer?”) para abortar em uma clínica clandestina, ofertada com impassível expressão de enfado sob aquele bigode de cafajeste.

Isto tudo antes de tentar matá-lo – e nem atirar direito conseguiu – e de acreditar em sua regeneração, apaixonando-se novamente por ele e tendo o final que toda vadia utópica merece.

Mesmo no período em que perdeu grana e se fingiu de bonzinho, continuava mandando ver. Separado de Stella, continuou ‘amigo’ da ex, dando a ela um consolo quando esta brigou com o novo namorado, Rodolfo, vivido por Kadu Moliterno, que, estéril, recebeu a notícia de que “seria pai” e comemorou a boa nova com um soco na cara da moça. Até este hábito, que os leitores de Caras julgavam recente, foi motivado, 16 anos atrás por Felipe Barreto.

Texto escrito (quase inteiro) por João Pequeno, ex-repórter do Povo.

sábado, 14 de julho de 2007

#64 - Olavo Bilac

Não era só o bigode parnasiano voltado para cima. O pince-nez apoiado no nariz mostravam que Olavo Bilac não estava a passeio. Um dos principais defensores do culto à forma na poesia brasileira, alinhado a Raimundo Correia e Alberto de Oliveira, Bilac fez questão de aplicar sua "profissão de fé" aos pêlos faciais.

O autor de "Via Láctea" seria depois o judas a ser malhado pelo Modernismo, que advogava o verso livre, a coloquialidade e as rimas opcionais. Mas, ao ver qualquer foto de Bilac, não há dúvidas de que o homem tinha uma mensagem a passar. Se a arquitetura do Rio ganhou um pouco de Paris na belle époque do prefeito Pereira Passos, a literatura do período não teria muito sentido sem este bigode.

Sem falar que, mesmo com esse lance de culto à beleza, Bilac foi um cara hardcore: foi expulso do quarto ano de medicina por ser flagrado em ato de necrofilia e foi perseguido pelo presidente Floriano Peixoto por fazer oposição.



E reparem, na foto acima, que mostra a "panelinha" de intelectuais em 1901, a quantidade de vistosos e bem-cuidados bigodes.

Texto enviado pelo leitor Márvios dos Anjos

quarta-feira, 20 de junho de 2007

#43 - Is it me you're looking for?

Quem viu não se esquece. O cenário é uma escola de artes. Os protagonistas, o professor e uma aluna cega. Ele se apaixona perdidamente por ela e a segue atormentado por todos os cantos, sem saber como declarar seu amor. O mestre é recompensado ao final, quando se depara com a escultura que a estudante fizera de seu rosto: "This is how I see you".

Estamos falando, é claro, do clipe de "Hello", de Lionel Richie, balada romântica que marcou época nos anos 1980.

Lionel Brockham Richie, Jr. estreou como saxofonista dos Commodores, banda da Motown que alcançou sucesso considerável nos anos 70. O estrelato em escala planetária, no entanto, só veio quando ele se lançou em carreira solo, em 1982.

Richie emplacou 13 singles consecutivos nos Top Ten, cinco dos quais como número 1. Sua popularidade chegou ao ponto de o governador de sua Alabama natal instituir o 29 de outubro como o "Lionel Richie day" - não são muitos os músicos que mereceram tal honraria.

"All night long", "Say you, say me" e "Dancing on the ceiling" são alguns dos diamantes forjados por Richie eternizados no panteão da cultura pop. A cereja no topo do bolo viria com o hit global "We are the world", composto com Michael Jackson. Coube a ele, aliás, a honra de entoar os primeiros versos desse hino humanitário ("There comes a time / When we hear a certain call..."), à frente de uma constelação de ídolos da música norte-americana.

Richie sumiu de cena em 1987, para retornar ao showbiz dez anos depois. Ele nunca voltaria a alcançar, no entanto, a fama anterior - provavelmente porque deixou que seu bigode, marca registrada dos anos de glória, se tornasse um vulgar cavanhaque. Mesmo assim, fica essa sincera homenagem ao ex-ídolo, no dia de seu aniversário.

O clipe de "Hello":




O clipe de "We are the world":




Texto escrito pelo leitor Bernardo Esteves.