quinta-feira, 16 de agosto de 2007

#91 - Axel Foley

Durante os anos 80, a atividade policial era muito benquista pela indústria cinematográfica, que forjava entre duras e tiroteios o seu star system. Eddie Murphy era apenas outro negão quando chegou aos cinemas o exemplar "Um Tira da Pesada" (Beverly Hills Cop), cuja história girava em torno de Axel Foley, policial de Detroit que se mandava para LA investigar a morte de um amigo seu.

Nos anos 80, essas coisas de jurisdição não atrapalhavam os verdadeiros tiras e Foley foi lá pra Rodeo Drive apavorar os granfas com sua indefectível jaqueta dos Lions de Detroit. Auxiliado por uma dupla de tiras brancos, porém bem intencionados, da terra do Brendo, da Brenda e da Donna, Foley desmascara uma poderosa quadrilha de traficantes - assassinos de policiais - comedores de criancinhas - produtores de boybands, trucida a todos e vinga assim a memória de seu amigo morto covardemente.

"Um Tira da Pesada" concorreu ao Oscar de melhor roteiro original e faturou o Grammy de melhor trilha sonora, o que foi uma barbada, já que a canção do filme se tornou um clássico instantâneo nos duvidosos anos 80.


De quebra, o filme lançou o jovem Eddie Murphy ao estrelato, o que lhe valeu mais dois filmes da série apoiados em sua comicidade e seu sagaz bigode! Murphy aparece no segundo filme da série já a bordo de uma vermelha Ferrari 308 GTS - sim, aquela mesma do Magnun. Coincidência?


Confira abaixo um trecho do filme que fez Eddie Murphy trilhar o caminho que o levou aos ovários de Mel B, a Spice Girl gostosa.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

#90 - Este verbete é 99% ficcional, ok?

Erik Nako é filho de pai norueguês e mãe japonesa. Os pais de Erik se conheceram durante a Segunda Grande Guerra. Seu Günter era tenente do exército e Dona Kamiro fazia parte do serviço de inteligência da aeronáutica do Sol Nascente.

No mesmo dia em que a base de Pearl Harbor foi atacada, um bombardeio semelhante deveria ter atingido o porto de Natal, ponto estratégico para os Aliados no Atlântico. O calor do Rio Grande do Norte, no entanto, causou uma pane nos aviões da Força Aérea Japonesa, que teria como apoio de terra alguns soldados da Noruega. A maioria dos invasores morreu, mas um casal sobreviveu após a queda de seu avião em um ilha próxima, Fernando de Noronha.

Ele viveram isolados por muitos anos, sem saber do final da guerra. Acabaram se casando e tendo muitos filhos, todos criados livres, mas com muita disciplina, na ilha paradisíaca.

Alfabetizado, Erik conheceu novas especiarias e sabores

Um desses era Erik, que logo se interessou pela incrível diversidade de cheiros e sabores das frutas e pequenos animais comestíveis do lugar. A língua de Erick é capaz de distinguir 847 mil sabores diferentes, assim como seu nariz reconhece o aroma dum tempero a até 15 km. Infelizmente no isolamento em que viviam, essas habilidades não eram muito úteis, dada a escassez de especiarias no noroeste de Fernando de Noronha.

Com o tempo, no entanto, a situação foi ficando mais complicada. A comida começou a escassear e a família de Erik precisou se aproximar da civilização. Sempre escondidos, com medo de que seu paradeiro fosse descoberto e eles fossem mortos pelos inimigos do Reich, roubavam galinhas nos sítios da ilha. A população local, no entanto, acabou desconfiando e descobrindo drama em que vivia aquela família. Os Nako, no entanto, não permitiam a aproximação de ninguém.

Como mostra essa matéria do Jornal do Brasil da época, aviões da FAB chegaram a jogar panfletos em japonês e norueguês para convencer os Nako do fim da guerra. A família só se rendeu, no entanto, quando Erik recebeu uma proposta de contrato para trabalhar numa famosa rede de restaurantes do Rio de Janeiro.

Hoje em dia, Erik é um dos mais promissores bigodes do país. Foi alfabetizado, descobriu que as ervas que usava para temperar seus pratos primitivos têm nome, além de ter sido apresentado a muitos outros sabores e aromas. Para saber mais sobre o trabalho do rapaz, visite o site http://www.cozinhacriativa.com/

terça-feira, 14 de agosto de 2007

#89 - Groucho Marx

Julius Henry "Groucho" Marx foi um dos maiores comediantes de seu tempo. Juntamente com seus irmãos, Harpo e Chico, faziam sucesso no cinema e teatro americanos como Os Irmãos Marx. O bigode, assim como as sobrancelhas, eram falsos e provavelmente Groucho ficava irreconhecível sem eles. Mesmo assim um ídolo, não somente por ter revolucionado a maneira de fazer comédia nos EUA e em todo o mundo, mas também por ter disseminado o uso do falso bigode como disfarce e inspirado a criação da "máscara" composta por nariz, bigode, sobrancelhas e óculos de aro redondo que povoaram uma série de desenhos animados por gerações.

Veja abaixo um imbecil aleatório usando a máscara e um trecho de "7 cent nickle":


segunda-feira, 13 de agosto de 2007

#88 - Fernando Pessoa - A Metafísica do Bigode

O bigode de Fernando Pessoa não é nada. Nunca será nada. Não pode querer ser nada. À parte isso, tem em si os sonhos de todos os bigodudos do mundo.

Ensimesmado e metafísico, o lustroso bigodinho era fonte de angústia constante para o poeta, incapaz de elucidar a eterna questão: é o homem que define o bigode ou o bigode que define o homem? Enquanto cofiava o pessoano moustache pelas ruelas de Lisboa, não havia mendigo que não invejasse só por não ter que se preocupar com tão capilares questões.

Um dia, cansado de tanta tortura, Pessoa pôs em prática o experimento definitivo: cindiu-se em três e criou os famosos heterônimos, cada qual com sua peluda peculiaridade: o pacífico Alberto Caeiro, amante da natureza e inimigo da metafísica, recusava-se a debelar o buço e ostentava uma riponga pentelhama sobre os lábios; o romântico Ricardo Reis modelava o seu à pinça, como um Don Juan de vocabulário intumescido; o furibundo Álvaro de Campos cuspia versos brancos em sua negra bigoda nietzschiana, afiada com um faca fundida no Inferno.

Vencido pelo dilema, Pessoa entregou-se a uma vida vegetativa. Passava o dia em casa, sem camisa. À noite, subia e descia a Rua do Ouro, pensando em tudo que não era a Rua do Ouro. Já brincava com a idéia de suicídio quando olhou pela janela e viu, de relance, um rosto conhecido sob uma tabuleta familiar. Botou a cabeça pra fora e, acenando desengonçadamente, gritou: "Adeus ó Esteves". E o dono da Barbearia sorriu.

______________________________________________________
Contribuição de Guilherme Freitas, futuro correspondente itinerante do IdB em Lisboa, São Petersburgo e Istambul.

sábado, 11 de agosto de 2007

#87 - Ski-Ba-Bop-Ba-Dop-Bop

............__--==ESPECIAL DIA DOS PAIS==--__............


Não, hereges! O título deste post não tem nenhuma relação com o maldito miguxês.

Nos anos 90 um bigode afrontava o senso comum na mediocridade geral da MTV. Scatman John era um talentoso pianista de jazz com um sério problema de fala. Sim, John era completamente gago, mas apesar disso gostava muito de cantar. Para conciliar o defeito com seu sonho, criou o "stuttering jazz", um estilo musical do qual ele é até hoje o único representante.

Como muito bem definiu a leitora Julia Krüger, que nos sugeriu o verbete, Scatman era uma "música muito legal dos anos 90. pena que ele morreu antes de ensinar todo mundo a fazer isso com a boca".



Aí estava o segredo dele, Julia. Bastava ser gago!

Pra quem acha que isso é brincadeira, vai lá na wikipedia e vê que o homem ganhou o prêmio Annie Glenn da American Speech-Language-Hearing Association, por serviços prestados à comunidade dos gagos e foi nomeado para o Hall da Fama da National Stuttering Association.

Morreu de câncer no pulmão em Los Angeles, aos 57 anos. Um bigode que desafiou os cânones estéticos do seu tempo e todas as limitações fonoaudológicas para alcançar um sonho. Para os intelectualóides vazios e para os menores de 20 anos que ainda tem alguma dúvida sobre a importância de Scatman, o compacto de "Scatman (Ski-Ba-Bop-Ba-Dop-Bop)" ocupou as seguintes posições nas paradas de sucesso pelo mundo, em 1994:

#1 Escandinávia
#1 Bélgica
#1 Suíça
#1 Áustria
#1 Itália
#1 Espanha
#1 Turquia
#1 França
#1 Irlanda
#1 Portugal
#2 Alemanha
#2 Holanda
#3 Reino Unido
#4 Brasil
#7 Austrália
#10 EUA Dance Music
#36 Japão
#60 EUA

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

#86 - Pedro Infante

Quando se fala em cinema mexicano, a primeira pessoa em quem se pensa é naquele pirralho imberbe do Gael García Bernal. Quando muito, lembra-se do nome bizarro do diretor igualmente bizarro (e igualmente imberbe) Alejandro Gonzáles Iñárritu. Em situações extremas, chega-se até o finalmente bigodudo Cantinflas (que merece post próprio). O que nós, brasileiros isolados do resto da Latinoamérica, não sabíamos era que o maior ídolo da história do cinema mexicano foi e segue sendo, É LÓGICO, o ídolo de bigode Pedro Infante.

Nascido no significativo ano de 1917, no qual deu-se à luz, entre outros, a Revolução que fez famoso o amiguinho que ilustra o título deste blog maroto, além da Constituição mexicana, a primeira carta magna a contemplar os direitos sociais e o bigode como instituições constituicionais, José Pedro Infante Cruz atuou, entre 1939 e 1957, ano que, de significativo, só teve a morte dele mesmo, em nada menos que 59 filmes, e gravou nada mais que 366 canções.

Compulsivo e vitaminado, teve cerca de 20 filhos, não somente com as três esposas oficiais, mas também com a camareira, com a costureira, com a cozinheira, com a gerente do banco, com a mulher barbada e com a tia que vendia burritos na porta do estúdio. Foi, sem sombra de dúvidas, o Ultimate Garanhas da terra dos churros.

Mais do que sagaz, Pedro Infante era um cara arrojado. Se ligava numa adrenalina, e foi tal vício que o fez ir prematuramente desta para a melhor. Acontece que ele curtia pilotar aviões, mas era extremamente ruim de asa. Resultado: derrubou o avião que pilotava. DUAS VEZES. Na primeira, se estropiou todo, mas conseguiu se recuperar, tendo como singela seqüela uma placa de metal que substituiu seu osso frontal do crânio (vulgo testa). O que valeu ao latin lover um toque de Frankenstein.

Da segunda vez que ele derrubou o avião, se deu mal. Seu corpo carbonizado só foi reconhecido pela placa na testa. Após o anúncio da morte do ídolo de bigode, dezenas de mulheres desesperadas suicidaram, só para mostrar que el hombre era fueda.

Em guisa de conclusão, e para arrefecer o ânimo dos incautos que ainda ousam duvidar do poder do bigode, segue o trecho de um filme de Pedro Infante. Reparem bem, hereges, QUEM faz uma mera ponta no filme do caboclo, aprendendo a arte do bigode com o mestre absoluto da sedução pilosa-facial:



Texto enviado pelo leitor Leonardo Fazito.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

#85 - Dr. Zoidberg

Meio homem, meio lagosta, meio lula, meio judeu. Um bigode de quatro metades, vindo do planeta Deacapod 10. Doutor Zoidberg é o médico responsável pela intrépida tripulação do Planet Express em Futurama, aquele seriado ao qual Matt Groening se dedica seriamente depois de cagar e andar para os Simpsons mais ou menos na 13a temporada.

O salário de Zoidberg aparenta estar à altura de suas habilidades médicas, pois não tem dinheiro para comprar sapatos nem para mais do que uma refeição por semana. Por causa de seu orçamento espartano, que contrasta com seu apetite homer-simpsoniano, ele está constantemente revirando o lixo atrás de um "banquete".

Confira as cenas de Zoidberg no célebre episódio satirizando Roswell, em que a nave do Planet Express volta acidentalmente para os anos 50 e Zoidberg é o suposto ET que teria sofrido a autópsia.



Aliás, não percam essa mesma cena, desse mesmo episódio.;
http://www.youtube.com/watch?v=xqMq_rm4slQ