O mês de dezembro de 1990 foi motivo de alegria e júbilo para muitas pessoas, mas em especial três importantes figuras do Século XX: Eric Hobsbawn, historiador inglês; Luís Inácio, político brasileiro e Lech Walesa, líder sindical polonês.
Hobsbawn, comunista de carteirinha, confessou em sua biografia vibrar com a vitória do bigodudo polonês nas primeiras eleições nacionais pós-Muro de Berlim. Lech, como denota seu bigodaço, vinha de lutas passadas a favor dos trabalhadores e era o grande líder do Solidariedade, sindicato que batia de frente com os mandatários da Polônia obedientes a Moscou. Luís Inácio, ex-líder sindical brasileiro, jamais escondeu sua simpatia e admiração pelo vencedor do Nobel da Paz de 1983.
(A título de curiosidade: Hobsbawn esteve no Brasil durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, e circulava pela cidade todo pimpão com um chaveirinho do PT)
Lech tirando uma onda de Senhor dos Anéis. Na época, infelizmente a Polônia passava por mais uma crise econômica e, em vez de charuto, nosso ídolo fuma um biscoitinho da Elam Chips.
Não gostou, vai tomar uma cerveja!
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
#122 - Há 25 anos...
terça-feira, 2 de outubro de 2007
#121 - O melhor goleiro de todos os tempos
Sobre Barbosa foram escritas algumas das mais belas linhas da crônica esportiva brasileira. A injustiça normalmente gera mártires, e Barbosa foi o grande mártir da Copa de 50. Em 82 novamente um time infinitamente superior a todos os outros perderia o título - sem sequer chegar à final -, mas o trauma seria muito menor. O ódio gerado pela derrota no Maracanã só só se compara ao ocorrido 57 anos depois, no Monumental. Mas o caso de 2007 foi muito mais engraçado.
Perseguido durante toda a vida pelo fantasma de uma derrota que não foi culpa sua, em 1993 Barbosa diria uma das frases mais fortes e tristes da história do país: "No Brasil, a pena maior por um crime é de 30 anos. Há 43 pago por um crime que não cometi".
Morreu pobre e amargurado, ídolo reconhecido apenas pelos verdadeiros amantes do bom futebol.
"Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Gighia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera."Armando Nogueira

Este é o time do Vasco campeão carioca invicto em 1949. Uma infinidade de bigodes. Na primeira fila estão: o massagista Mário Américo, um integrante da comissão técnica, Sampaio, Augusto, Barbosa, Wílson, Laerte e dois membros da comissão técnica. Na segunda fila estão: Jorge, Alfredo II, Amílcar Giffoni (comissão técnica), o técnico Flávio Costa, Oto Glória (comissão técnica), Danilo e Eli. Na terceira fila: Nestor, Maneca, Ademir de Menezes, Lima, Ipojucan, Heleno de Freitas, Chico e Mário.
sábado, 29 de setembro de 2007
#120 - Deco Boareto
Meus queridos, o Deco é o cara. Ele mora no endereço da moda de São Paulo, tem o trabalho dos sonhos de qualquer nerd, transita com desenvoltura por qualquer círculo sexual, digo, social e cultiva esse bigodão aí, de fazer inveja aos maiores psicopatas norte-americanos.
Deco é ainda um exemplo do Brazilian Way of Life. A própria definição do Homem-Cordial, vive sua vida do seu próprio jeitinho, não tem inimigos, like a bridge over troubled waters, está sempre pronto para ajudar os amigos.
Além de tudo isso, Deco ainda está envolvido em uma dos melhores projetos egotripicos que já se teve notícia. Ele se dedica a contar a sua própria vida através de uma história em quadrinhos tatuada nas costas. O nome do tatuador é mantido em absoluto sigilo e será revelado apenas quando o serviço estiver terminado.
Ah, e vocês se perguntam, e daí? Quem é Deco? Apontem seus emails para tequilenos-subscribe@yahoogroups.com e descubram por si mesmos.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
#119 - No início, havia o bigode
As imagens são raras. Os registros fotográficos, perdidos. Mas no início da caminhada rumo ao poder do filho pródigo de Caetés, havia lá o impávido e resistente bigode.
Numa época em que as palavras valiam mais que cuecas, que o punho se fechava e erguia-se diante do opressor, que os braços se cruzavam coletivamente, que o Coringão penava mas não freqüentava as páginas policiais, Luis Inácio, torneiro mecânico, líder sindical, homem do diálogo, honrava a brava gente brasileira com seu bigode rebelde!
Porém o tempo é implacável e logo atrás, ao olharmos a história, podemos perceber que para Lula, assim como o bigode jamais seria o bastante, o reconhecimento de seus companheiros de luta também não. Lula quer o mundo, o infinito, o inolvidável. E logo de seu bigode cultivou hirsuta barba.
#118 - Ford Model "T"
Hoje em dia você certamente acha muito normal sair da sua cama e tomar banho, usar sabonete para a tarefa diária e, se o dito cujo estiver no fim, basta procurar na despensa por outro igual, tirar da embalagem e seguir em frente. Deve haver uma penca de sabonetes na despensa, um igual ao outro, não é mesmo?Ford, o Henry, apesar de imberbe (tolinho!) se inspirou na produção das fábricas Colt e Singer para estabelecer os parâmetros da produção em série e passou a montar seu Bigode em uma esteira, onde diferentes operários se responsabilizavam por diversas partes do Bigode, possibilitando a produção em massa! Era o advento da produção capitalista por excelência!
Ford Bigode saradão e pegando um bronze.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
#117 - Pedro Paulo Soares Pereira
"No último natal papai Noel escondeu um brinquedo
Prateado, brilhava no meio do mato
Um menininho de 10 anos achou o presente,
Era de ferro com 12 balas no pente"
(Fim de Semana no Parque)
Pedro Paulo é apenas um ilustre torcedor dos Santos, morador do Capão e integrante dos Racionais MCs. Pedro Paulo é apenas Mano Brown.
Como Pedro Paulo, ele só quer viver em paz na sua quebrada, na alvorada de seu bigode, em hamonia com os mano (pou) e as mina (pá).
Como Mano Brown, ícone do rap brasileiro, voz da periferia paulista, sujeito-homem do conceito na ZL, o bigode de Brown não dá mole pra pleiboizada e manda o verbo na lata, sem dar mole pra sobrenomes e cifras, sem jabá ou caô.
"Dois ladrões considerados passaram a discutir.
Mas não imaginavam o que estaria por vir.
Traficantes, homicidas, estelionatários.
Uma maioria de moleque primário.
Era a brecha que o sistema queria.
Avise o IML, chegou o grande dia.
Depende do sim ou não de um só homem.
Que prefere ser neutro pelo telefone.
Ratatatá, caviar e champanhe.
Fleury foi almoçar, que se foda a minha mãe!
Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo...
quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio!"
(Diário de um Detento)
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
116 - Num domingo qualquer
Um bigode é sempre a base moral de qualquer grande homem. Mas mesmo os mais frondosos bigodes precisam de uma espécie de sabedoria que vem apenas com o tempo. O que dizer então do estiloso buço usado por Jamie Foxx no filme "Um Domingo Qualquer", de Oliver Stone.
Foxx - digno representante de uma tradição de atores negões bigodudos que tem em Eddie Murphy seu maior expoente - interpreta no filme o jogador de futebol americano Willie Beamen. Terceiro reserva em seu time, o Miami Sharks, ele um dia é escalado quando dois jogadores se lesionam em seguida. Daí pra frente o garoto se afoga num turbilhão de fama, dinheiro, mulheres e drogas. Coisa demais para seu modesto bigodinho.
Aliás, quando se vê a quantidade de pílulas, injeções, pózinhos mágicos e quetais que os atletas de futebol americano tomam a gente conclui: o Dodô tá no esporte errado.
De qualquer forma, depois de tomar muita porrada da vida e dos adversários, Beamen compreende que "On any given Sunday you're gonna win or you're gonna lose. The point is - can you win or lose like a man?". Um recado que cairia bem para 99% dos camisas 10 dos times brasileiros.
Uma pena, uma pena que Tony D'amato não use bigode.