
Das mãos do gênio Alan Moore saiu a melhor história da história do Batman: A Piada Mortal. Talvez o bruxo de Northampton tenha sido o autor que conseguiu chegar mais próximo da loucura do arquiinimigo do morcegão. Moore entendeu que a única maneira de vencer Batman seria tirando seu resto de sanidade. E para isso, era preciso destruir o homem que servia como consciência e costas-quentes de Bruce Wayne, o Comissário Gordon.
No excelente Batman Begins, Gordon finalmente teve uma participação à altura da sua importância no universo decadente de Gotham City. O comissário enverga o bigode que é a base moral da cidade mais amoral da América. Amparado em sua ampla pelagem subnasal, busca reformar a polícia da cidade e controlar o Justiceiro que decidiu resolver tudo por conta própria.
Juro que eu passei o Batman Begins inteiro sem saber quem era o Gary Oldman no filme. Sabia que ele participava, via alguma semelhança quando Gordon aparecia na tela. Mas só consegui ter certeza na hora dos créditos. Isso deve mostrar que o sujeito é bom ator. Ou que eu sou meio mongol...
terça-feira, 31 de julho de 2007
#77 - And what about escalation?
segunda-feira, 30 de julho de 2007
#76 - Oswaldo Cruz

Houve uma época em que todos os homens usavam bigodes. Ela compreende o fim do século XIX e pelo menos as três primeiras décadas do XX. A moda peluda demandava pessoal de barbearia altamente especializado e o nível dos bigodes subiu significativamente. Por isso, podemos dizer que não era onda ter um bigode maneiro. O que diferenciava os homens das crianças era, isso sim, o uso que cada um fazia de seus pelos faciais meticulosamente aparados, engomados e penteados entre o nariz e a boca.
É aí que entra Oswaldo Cruz, maior sanitarista da história do país. Ao lado do engenheiro Pereira Passos, então prefeito carioca, e do presidente Rodrigues Alves (ambos de bigode e cavanhaque), promoveu o maior AUÊ na cidade, no início do século XX. Mais um bigode que mexeu profundamente com a vida da nação. A capital da recente República era um notório foco de doenças e epidemias, evitado pela nata da sociedade européia, que passava ao largo da Guanabara e partia direto para veranear e fazer negócios na portentosa Buenos Aires.
Passos e Alves pretendiam transformar o Rio na Paris Tropical e, para isso, propunham a demolição dos cortiços do centro da cidade e a remoção de seus moradores. Recém-formado no Instituto Louis Pasteur e nomeado o sanitarista oficial do Estado, Oswaldo Cruz baixou nessa conjuntura a lei da vacina obrigatória. A decisão gerou, de imediato, a maior revolta popular da história de cidade, no ano de 1904. O populacho carioca, ainda em descompasso com o Século das Luzes, não acreditava nessa história de "vida microbiótica" e, insuflado pela oposição, achava que as reformas de Cruz eram mais uma desculpa para botar abaixo seus insalubres muquifos. O saldo final da revolta foi de 30 mortos, 110 feridos e 900 presos deportados para o Acre.
Usando o bigode como uma barricada moral, o sanitarista resistiu às críticas e entrou para a História como um modernizador, redimido diante da opinião pública tupiniquim.
Este post foi escrito em colaboração com Victor.
domingo, 29 de julho de 2007
#75 - Giba Jah Rastafari
ATUALIZAÇÃO: Para ganhar título, só com o poder do bigode da sorte, amigo!
Gilberto Godoy Filho saiu de Londrina, norte do Paraná, direto para as páginas policiais. O popular Giba, uma espécie de Hulk Hogan do vôlei, tinha tudo em suas mãos no ano de 2002: campeão da Liga Mundial, craque do torneio, tricampeão brasileiro (2000 - 01 - 02), uma polaca loira em casa, um contrato na Itália e um baseado.
Pego em flagrante, Giba admitiu possuir toda a coleção do Natiruts em fitas k-7 negociadas em Kingstown e várias pontas.
Foi quando veio a redenção do Atleta de Jah, que não sucumbiu em meio ao fumacê e ao dub. Obstinado a provar sua capacidade pulmonar a todos, em especial a Bernardinho, técnico da Seleça de Vôlei mais sinistra de todos os tempos, Giba arrumou forças para voltar a ser O Cara apoiado num sólido e inibidor bigode!
Funciona assim: nos primeiros jogos das competições, Giba se disfarça de um militante verde qualquer em quadra - é apenas aquele camisa 7 que está no time porque as meninas da arquibancada gostam dele.
Quando chegam os jogos decisivos, ah! irmãozinhos, aí o bicho pega, e não estou falando do rapa, não! Giba exibe a seus fracotes adversários seu bigode talismã e os massacra impunemente, sem lero-lero e nem vem cá que eu também quero!
Desde então, o bigode de Giba já triturou italianos, ianques, cubanos, búlgaros e russos nas mais diversas quadras mundo afora conquistando 5 Ligas mundiais, 2 campeonatos mundiais, 1 copa do mundo, 1 sul-americano e 1 Copa América. A única decepção foi o bronze no Pan de Santo Domingo.
Acha muita coisa? Ele não. Giba já se encontra diante de mais uma decisão, no Pan 2007 no Rio, diante dos puercos americanos. Na semi-final contra a fatídica Venezuela, Giba já exibiu parte de seu ameaçador mustache dentro de um maroto cavanhaque. Parece que esse ouro já é nosso.
Valendo um CD do Ben Harper: adivinhem a posição de Giba no time?
quinta-feira, 26 de julho de 2007
#74 - This fire is out of control, i'm gonna burn this city, burn this city
Antes de ser uma banda indie escocesa, Francisco Ferdinando, nascido Franz Ferdinand Karl Ludwig Josef von Habsburg-Lothringen, foi o pivô do início da Primeira Guerra Mundial. Como bem se sabe, os objetos de desejo da sociedade de consumo mudam de acordo com a época. Se hoje a molecada do morro mata e morre por um tênis Nike, nos arredores de 1914 a melhor forma de impressionar as cocotinhas era cultivando um belo bigodão.
Pois Francisco não só cultivava, como exibia o seu de forma ostensiva, como pode-se ver na foto, tão impressionante quanto a do Barão do verbete anterior. Não sem motivo, esse bigode se tornou alvo de disputas envolvendo o trono austro-húngaro. Mas foi a pura inveja que causou a morte de Franz.
No verão de 1914, quando passeava pela pacata Sarajevo, Ferdinando foi assassinado pelo sérvio-bósnio Gavrilo Princip, dono de um bigodinho que só perdia em inexpressividade para o olhar do militante extremista. Alguns sugerem ainda que Gavrilo estivesse a serviço de outro célebre schnurrbart, do Kaiser Guilherme II, um dos principais adversários de Francisco nos Mundiais de Bigodes de outrora. Mas o Kaiser, assim como Otto von Bismarck, é assunto para outro post...
Não deixem de visitar este site FANTÁSTICO: http://www.petmoustache.com/ Cheguei lá graças a um comentário deste blog: http://belowthenose.blogspot.com/, que também presta grande serviço aa humanidade.
Na foto, Francisco Ferdinando e família, num momento fofo
quarta-feira, 25 de julho de 2007
#73 - Pierre de Frédy
O esporte é univerasl. Por isso, dando seqüência à homenagem feita aos bigodudos das 3 américas que brilharam nos Jogos Pan-Americanos, ampliamos nossos horizontes e invocamos a lendária figura de Monsieur Le Baron de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos Modernos e - não surpreendentemente - dono de um dos mais bem cuidados moustaches dos 5 continentes, dos 7 mares e de todas as eras da civilização, soit moderne ou classique.
O pedagogo francês, notório incentivador da inserção do esporte no currículo escolar, se valeu de escavações feitas em Olímpia - que despertaram o interesse mundial pelos Jogos realizados na Antigüidade, na Grécia -, para promover, em 1896, as primeiras Olímpiadas da era moderna, sediadas em Atenas.
(Obs: O Pan-Americano só seria idealizado nos anos 20, a ODEPA estabelecida em 1932 mas a realização do primeiro evento adiada para 1951 por causa da II Guerra.)
Agora, a cereja do bolo: Barão de Coubertin era tão roots, mas tão roots quando o assunto era Olimpíada, que seu corpo foi sepultado em Paris, MAS SEU CORAÇÃO E SEU BIGODE estão enterrados nas ruínas de Olímpia.
(Ok, foi só - acha pouco?!! - o coração mesmo: pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_de_Coubertin)
terça-feira, 24 de julho de 2007
#72 - Burt Reynolds
Um dos maiores astros da história do cinema, Burt Reynolds atuou em mais de 90 filmes. Ao contrário de alguns ídolos retratados neste blog, Burt sempre ostentou um bigode, transformando-o praticamente em uma marca registrada. Não se podia esperar menos de um ator que sempre teve uma queda para papéis de cafajeste. Apesar de ter atingido o auge da carreira entre 78 e 82 quando, por cinco anos seguidos participou dos maiores sucessos de bilheteria desses respectivos anos, Mr. Reynolds foi indicado ao Oscar somente em 97, pelo incrível Boogie Nights.
Assista o trailer:
Já em "Tudo que você queria saber sobre sexo", de Woody Allen, Burt interpreta um papel incomum. Ele faz parte do centro de comando do cérebro de um homem prestes a comer uma mulher no carro. Assista o episódio completo:
segunda-feira, 23 de julho de 2007
#71 - Maguila, o gorila
Maguila nasceu em Aracaju, no ano de 1959. Depois de completar os estudos em Sergipe, foi estudar Filosofia na Sorbonne, onde se aprofundou no existencialismo de Kierkegaard e Heidegger. Um pouco antes de defender sua tese de doutorado, descobriu o boxe e sua verdadeira vocação. O auge da sua carreira pugilística foi em 1995, quando se tornou campeão mundial de pesos pesados por uma inexpressiva, ínfima e irrisória Federação Mundial de Boxe. Daí pra frente, foi só franca decadência e o valente sergipano passou a freqüentar a lona com desenvoltura e talento únicos, se especializando com louvor na arte de tomar na cara e dormir neném.
Patrocinado pela Olivetti e pelo Luciano do Valle, com quem tinha uma relação galvãobuenística, Maguila tomou nocates homéricos de George Foreman, que nessa época não era grill, só um pastor-boxeador que distribuía porrada e bênçãos por aí, e Evander Holyfield, com orelha e tudo.
Com o fim da carreira, Maguila retomou sua investigação acerca da fenomenologia husserliana e faz participações especiais em programas toscos de auditório e humorísticos de baixa categoria, sempre elevando o nível geral com suas intervenções intelectualizadas e seu eterno e garboso bigode cheio de sobriedade e sabedoria.
Algumas frases do grande pensador:
"O meu estado é Aracaju"
(Adílson Maguila Rodrigues, quando perguntado sobre qual o seu estado civil, no programa da Hebe Camargo)
"Depois da derrota o pior resultado é o empate"

POSTULADO DO MAGUILA: Quanto maiores são, mais forte batem (segundo a Lei de Murphy)
Escrito pelo leitor Vinícius Trindade, o Bito
