
Último grande poeta do pop, o australiano Nick Cave já tinha um bando de rock consagrado, os Bad Seeds, mas precisava de um motivo para usar um bigode. Era o passo restante rumo à consagração.
Não deu bobeira. Recrutou neste ano três companheiros dos Bad Seeds (o violinista/guitarrista Warren Ellis, o baixista Martin P. Casey e o baterista Jim Sclavunos) e se propôs a fazer um som cru, ruidoso, violento.
Sudorese pura, os Grinderman surgem dessa volta ao que se propunha a primeira banda de Cave, o Birthday Party. Orgânico demais para ser chamado de industrial, o grupo causou furor na crítica do Atlântico Norte e se aproveitou da parada dos Bad Seeds para fazer alguns shows pelo Reino Unido e Austrália.
Nick Cave explica que o novo quarteto surgiu da necessidade que tinha de compor músicas que não tinham a ver com a sonoridade refinada que os Bad Seeds alcançaram sob a palheta do arranjador e guitarrista Mick Harvey. Piano, cordas e coros presentes nos últimos discos teriam que sair de cena para músicas com títulos pungentes como... "No Pussy Blues" (Blues dos Sem-Buça).
Na paisagem do Grinderman, Warren Ellis e Jim Sclavunos acharam obrigatório deixar as barbas crescerem ao nível dos melhores patriarcas judeus. A mr. Cave, coube cultivar um bigode elíptico, farto, digno de xerife do Novo México (ou do próprio México).
Sem esse bigode, os Grinderman até poderiam continuar sujos e barulhentos. Mas será que meteriam o medo que impuseram aos mela-cuecas do Travis, flagrados no minuto 2'15 desta apresentação de "No Pussy Blues" no programa de Jools Holland? Duvido.
Texto escrito pelo leitor Márvio dos Anjos
terça-feira, 11 de setembro de 2007
#108 - I'm down here for your souls!
#107 - Filho, não. Ele é O Dono do Mundo

– Café para dois, senhor?
Não, só para um.
– Ué, e a Márcia?, questiona o recém-novamente-velho-aliado Júlio (Daniel Dantas), sem entender a negativa do amigo-quando-convém que visitava pela manhã o camareiro do cinco estrelas
Malu - mulher de considerável juventude em 1991 - escorrega nas próprias lágrimas e, aos poucos, seu rosto cai da parede do banheiro até o chão. Mais humilhada que a Argentina em Copa América, antes mesmo que chegasse ao final o epitáfio do mestre.
– Ñhnaáá... Quando essa puta sair do banho, eu despacho ela e (segue-se algo como um foda-se).
Nem o caráter para-lá-de-duvidoso de Júlio imaginava tamanha escrotice de quem até pouco antes parecia se regenerar. Fato que inspirou até o colunista Agamenon Mendes Pedreira a filosofar sobre o ex-presidente e hoje companhêro senador das Alagoas que não acreditava na ‘felipebarretização’ de seu governo.
Ao contrário de Fernando Collor, porém, Felipe Barreto fingiu direitinho – bem mehor que o choro de dona Rosane – e ficou no lugar que era dele de direito. Não por vontade do povo nem de ninguém senão dele mesmo. Barretão era o comando e quem comandava era o Barretão, na modesta opinião deste que vos escreve a melhor criação de Gilberto Braga em todos os tempos, pondo até Odete Roitmann, com seu excesso de frescuras, para trás.
Felipe Barreto era tão escroto que até hoje a Globo não reprisou O Dono do Mundo. É uma pena. O ômi era um canalha com estilo, que curtia muito se divertir, principalmente se fosse às custas dos outros. É que um país de tolos gosta de ser enganado. Daí sua regeneração no meio da novela, tão verdadeira quanto um aleijado largando a muleta e andando em um culto da Igreja Quadrangular do Triângulo Redondo.
Seu bigode inspirou os takes de O Grande Ditador na abertura da novela, mas Felipe não tinha nenhuma semelhança com Hitler. Jamais fuderia com judeus, eslavos e nem com ciganos. Já com judias e ciganas... quem sabe uma tenista russa... Especialmente se fossem comprometidas.
Na foto ao lado, Felipe Barreto comemora aniversário, disfarçado de Antonio Fagundes
Sob uma análise psicoginecológica, o cirurgião plástico amalgamava cafasjestes anteriores (o cafetão Bibelô, de Os Sete Gatinhos) e posteriores (o bom vivant Atílio, de Por Amor) de Antonio Fagundes em um perfeito Pitanguy Tirador de Cabaços. Casado por interesse com a ricaça, que ainda dava um caldo legal, Stella (Glória Pires), ele não era bobo de se contentar com isso. Quanto mais, melhor, especialmente se ele fosse o primeiro.
Movido pelo instinto de repórter de revista de fofocas, ele descobre que a noiva (Malu Mader) de um empregado era cabaço e os convida para passar a lua-de-mel em seu chalé nos Alpes. Inventa um trabalho pro bundão fazer e, enquanto isso, inaugura a vadia. E isso era só o começo do canalha que causou protestos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – a Revolta dos Bisturis, inconformados em ser identificados com tamanho energúmeno.
Ao invés de dizer que tinha hímem complacente, Márcia – este era o nome dela –, não teve malandragem e confessou a traição ao corno, que acabou se matando. Depois, foi procurar o doutor para que assumisse o mal que fizera e prosseguir o “lance muito forte” que havia rolado entre eles, segundo as próprias palavras dela à mãe. Saiu de lá com a proposta de um cheque (“quanto você quer?”) para abortar em uma clínica clandestina, ofertada com impassível expressão de enfado sob aquele bigode de cafajeste.
Isto tudo antes de tentar matá-lo – e nem atirar direito conseguiu – e de acreditar em sua regeneração, apaixonando-se novamente por ele e tendo o final que toda vadia utópica merece.
Mesmo no período em que perdeu grana e se fingiu de bonzinho, continuava mandando ver. Separado de Stella, continuou ‘amigo’ da ex, dando a ela um consolo quando esta brigou com o novo namorado, Rodolfo, vivido por Kadu Moliterno, que, estéril, recebeu a notícia de que “seria pai” e comemorou a boa nova com um soco na cara da moça. Até este hábito, que os leitores de Caras julgavam recente, foi motivado, 16 anos atrás por Felipe Barreto.
Texto escrito (quase inteiro) por João Pequeno, ex-repórter do Povo.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
#106 - Muthafucka Ice Cream, two real in my hand
Sem dúvida o maior ídolo do underground carioca nos anos 90, my friend. Quem esteve na Rua Ceará, Lapa ou na Bunker, certamente já viu aquela figuraça vendendo seus sorvetes sabor chocoleite, cream, strawberry ou snow flakes. Além de oferecer o melhor ice-cream do Rio, que nas palavras do próprio "taste like pussy", o Motherfucker ainda dava conselhos para a juventude.
Bons amigos não esquecem a noite que ele discursou: "Jovens, não usem drogas. Quem usa drogas não toma sorvete!"
O cara é tão fantástico que, além de comunidade no Orkut, ganhou dois tributos no Garage, com o crème de la crème do underground carioca.
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
#105 - Diga a Domitília que eu fico, ó pá!
Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon é o nome deste rapaz, mas ele deixava você tratá-lo por Dom Pedro I.
Dom Pedro I, proclamador da independência do Brasil, possui inúmeras razões para ser aclamado no IdB! Para começar, amigo leitor, amiga leitora, hoje, 7 de setembro, você só pôde sair da cama tarde após encher a cara ontem sem culpa graças a ele! Seu brado por independência ou morte às margens do Ipiranga nos garantiu esse feriadão, gente bronzeada.
Pedro, porém, antes de tudo, era um amante de seu bigode e das mulheres. O homem deixou 18 herdeiros sobre a terra, de quatro mulheres diferentes! Se Pedro II, seu filho mais famoso, fez tudo pelo Brasil, o I viveu para as mulheres e o prazer. Não à toa aparece em todas as fotos muito mais jovem que o próprio filho, um barbado acabadão.
O nosso primeiro Imperador foi figura ímpar no mundo lusófono. Considerado Libertador nos dois lados do Atlântico, livrou a nós, brasileiros, dos portugueses, e a eles, portugueses, do Absolutismo. Desapegado dessa chatice de poder, abdicou das duas coroas. Em Portugal deixou no trono a filha Maria da Glória. No Brasil, passou o bastão para Pedro II. Vale notar que Maria da Glória, rainha de Portugal e loirinha, nasceu ali ó, em São Cristóvão, bairro que abriga vocês sabem o que.
O artigo da wikipédia, claramente escrito por imperialistas portugueses, relaciona a posição de d Pedro I na independência do Brasil à 'superficialidade da sua instrução'. Os verdadeiros motivos do "Fico", no entanto, só foram entendidos séculos depois, pelo poeta Marcelo Maldonado Gomes Peixoto.
"O gringo subiu o morro e bebeu cachaça
fumou maconha e obteve a graça
depois do samba sua vida
nunca mais foi a mesma"
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
#104 - The Kansas City Shuffle
Aposto que todos aqui já viram o Bruce Willis de tudo que é jeito. Com cabelo, sem cabelo, barbeado, de barba por fazer, vestido, nu, dando tiros, levando bordoada, etc.
Bruce é um excelente ator. O que o IdB traz pra vocês é o que o homem fez pra mostrar o quão malvado poderia ser um matador profissional.
Adivinhem.
De brinde vocês ganham a musiquinha que toca ao final de "Lucky Number Slevin", "Xeque-Mate" aqui no Brasil.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
#103 - Morgan Freeman
Quando resolveram fazer um filme onde Deus era a personagem a ser interpretada, produtores não tiveram a menor sombra de dúvidas - o papel era de Morgan Freeman.
E não havia realmente como não entregar o papel a ele, que possui toda autoridade que necessita em seu olhar meio morto, seu riso sacana, sua voz de tenor e um insofismável bigode.
O ator nascido em Memphis, Tennessee, começou a ganhar a vida como mecânico da aeronáutica, antes de despontar em papéis no teatro. Seu primeiro papel de grande projeção mundial mostrava o bigode de Morgan conduzindo Miss Daisy rumo a vários prêmios.
Daí por diante, foi difícil impedir que o homem se tornasse um dos mais carismáticos atores em ação no cinema norte-americano. Freeman fez inúmeros papéis memoráveis, desde um auxiliar muçulmano do predecessor do emocore Robin Hood de Kevin Costner a chapa de Brad Pitt em meio a crimes bizarros baseados nos sete pecados capitais, com direito a ser o presidente dos EUA num mundo às vésperas de ser atingido de leve por um meteoro gigante.
Morgan também emprestou a dignidade de seu bigode para que Clint Eastwood pudesse brilhar com seu filme campeão "Menina de Ouro" - melhor seria o filme ser batizado de "Bigode de Ouro", haja visto a quantidade de cenas que o seu ex-boxeador Scrap rouba no filme.
Mais recentemente, o grande Freeman emprestou seu talento para tornar ainda melhor o maroto thriller "Lucky Number Slevin", onde vive o papel de The Boss. Ele ainda tem parte no brilhante "Batman Begins", onde tem o papel de Lucious Fox, pilar moral e cívico das Empresas Wayne. Abaixo, trecho do filme (Cavaleiro das Trevas vem aí!) onde Lucious apresenta ao patrão Bruce a grande personagem da história, o simpático Tumbler.
Morgan obviamente não é apenas um homem preocupado com a imagem de seu bigode nas telas. Diante do entrevistador do renomado 60 minutes, Morgan não hesitou em mandar na lata que "I am going to stop calling you a white man and I'm going to ask you to stop calling me a black man". Ele é defensor do fim do racismo e prega que o melhor meio de combatê-lo é não falar sobre o tema.
sábado, 1 de setembro de 2007
# 69 - Ron Jeremy
Houve um tempo em que os atores de filmes pornôs não eram tidos como celebridades ou dignos de programas de auditório, capas de revistas semanais, festas de famílias. Neste tempo, havia o infalível bigode de Ron Jeremy que foi eleito pela AVN, uma espécie de Fifa dos filme de sacanagem, o maior nome do pornô de todos os tempos
Ron e seus 25cm atuaram em cerca de incontáveis 1.500 películas, com ou sem história! Famoso por seu porte físico inusitado - para um pornstar, não para um motorista de ônibus ou um pastor evangélico - Jeremy nunca precisou ser alto, magro ou bonitão: seu bigode estava lá pra garantir a ordem na putaria.
Sua fama é tal que ele foi eleito para o Hall of Fame da respeitabilíssima XRCO (X-Rated Critics Organization). Acha pouco, garanhão? Por acaso você já passou o cerol em tanta gente que acharam boa idéia produzirem um documentário sobre o seu mojo workin'?
Fizeram pra ele.
Confira abaixo a lenda num comercial para entretenimento familiar. Pode clicar sem medo, o bigode de Ron garante.